Domingo de Pentecostes â19/05/2013
A CADA UM É DADA A
A MANIFESTAÇÃO DO ESPÍRITO
EM VISTA DO BEM COMUM
“VINDE, ESPÍRITO DIVINO COM VOSSOS DONS e ENCHEI OS CORAÇÕES
DOS FIÉIS”
Pentecostes é o oposto da dispersão que aconteceu em Babel.
Durante sete semanas celebramos a Ressurreição do Senhor, a
Páscoa. Concluído o Tempo Pascal, somos convidados a acolher o dom do Espírito
Santo, o Paráclito. O Espírito vital que transforma, une a comunidade e nos faz
pessoas novas para o serviço da Igreja, superando medos e incertezas. Cristo, com sua presença e os
sinais da paixão, comunica paz, alegria e motiva a superaração. O sopro do Espírito infunde a vida e proporciona paz e
fraternidade. É pelo
dom do Espírito Santo que a Igreja se abre a todos os povos. O Espírito que dá
vida transforma e une comunidades, tornando pessoas novas para o serviço do irmão. Deus soprou e tornou o ser humano capaz de seguir os seus desígnios.
Jesus envia os discípulos a testemunhar o dom da paz, a fim de reconciliar
o mundo com Deus, contribuindo para libertá-lo das forças do mal.
A liturgia mostra a ação do
Espírito no milagre de Pentecostes e nos carismas da Igreja como sinais da
unidade e da paz que o Cristo veio trazer. O entusiasmo dos apóstolos supera divisões de raças e línguas
pela diversidade de dons. A Igreja é a confirmação do Mistério
Pascal pelo dom do Espírito que continua em nós a obra de Cristo. Cabe-nos, agora, renovar a face da terra.
“Assim como o Pai me enviou, também eu vos envio”, pelo o sopro do Espírito e da vida nova.
O verbo
encarnado cumpriu todas as etapas do plano salvífico do Pai.
Primeira
Leitura: Atos 2,1-11 “Todos ficaram cheios do Espírito
Santo e começaram a falar!”
O vento forte e o fogo simbolizam a presença de Deus, para que o
povo siga sua a caminhada; é como um fogo abrasador que escuta e anuncia a palavra
de Cristo na própria língua, nas diferentes culturas. O texto do milagre de
Pentecostes e o nascimento da Igreja, 50 dias após a Ressurreição, lembram o povo
de Deus livre da escravidão, 50 dias após a saída do Egito, comemorando a Primeira
Aliança com Deus. No Pentecostes, com os
mesmos sinais, realiza-se a Segunda Aliança: nasce a Igreja universal, aberta a
todas as línguas e culturas.
O Livro dos Atos é como o Evangelho do Espírito Santo que
acompanha a Igreja desde o Pentecostes. É pelo Espírito que chamamos Deus de Pai e Jesus de Senhor. Segundo Lucas, o Espírito é a nova lei que
orienta a caminhada do cristão. É Ele que cria e une, na comunidade de amor, povos
de todas as raças e culturas, fazendo com que os homens sejam humildes para
ultrapassar suas diferenças, transformando em amor e paz a relação entre povos: 
“todos os ouviam proclamar na sua própria língua as maravilhas
de Deus”. A mensagem de amor e partilha é a consequência do anúncio do
Evangelho que gera comunidades, falando a mesma língua do amor e represente a
Igreja como união de irmãos em Cristo, a grande Comunidade Universal de amor e
liberdade, como testemunhos de Seu Ministério.
O novo cristão, com sua própria cultura, deve ser adaptado,
formando com ela o novo discípulo.
Salmo
Responsorial: No salmo, Deus oferece o dom da vida às criaturas através de seu
espírito ou sopro vital – Enviai o vosso Espírito,
Senhor, e da terra toda face renovai.
2ª Leitura: 1Cor
12,3b-7.12-13 “Todos fomos batizados num só Espírito
para formar um só Corpo”.
Para Paulo o Espírito é a fonte de onde brota a vida da
comunidade cristã, através dos dons que enriquece seus membros para o bem
comum. A comunhão no mesmo Espírito, na diversidade de dons e ministérios
em benefício da comunidade que forma o corpo de Cristo.
Paulo lembra
que fomos batizados no mesmo Espírito,
fonte de vida da comunidade cristã, enriquecendo todos seus membros. Nos alerta que esses dons, com sua diversidade
de ministérios, devem ser usados em benefício de todos. O verdadeiro carisma nos leva a confessar
que Jesus é o Senhor para o bem da comunidade, conscientes de que essa
diversidade atua em todos em nome do Senhor. Não
existe “classe” de cristãos porque o Corpo, que dá vida, é um só, Jesus Cristo,
no Espírito.
O verdadeiro
cristão exerce funções e a faz com a dignidade de igualdade, ciente do bem
comum: se sente depositário de um dom, por isso o faz com humildade. A igreja não pode ser uma
pirâmide cujo topo está uma elite que preside e decide, cabendo ao rebanho
dizer “amém”. O que não faz sentido à luz da doutrina de Paulo. Os dons que recebemos não podem gerar conflitos e divisões, mas
servir o bem comum e reforçar a vivência comunitária pelo Espírito que alimenta
e dá vida conforme as necessidades.
A cada um é dada a manifestação dos
dons do Espírito para o bem comum.
Evangelho: João
20,19-23
”Assim como o Pai Me enviou, também Eu
vos envio: Recebei o Espírito Santo”!
Segundo
João, o Pentecostes coincide com o dia da Ressurreição (os
discípulos com medo e reclusos), Jesus põe-se no meio deles e CRIA A COMUNIDADE CRISTÃ: sopra sobre eles o vento forte do Espírito de Deus para que a
Igreja espalhe seu projeto de salvação, levando a todos os povos o perdão dos
pecados e a vida nova – “Como o Pai me enviou, eu também vos
envio”. Que o
milagre do Pentecostes, pelo testemunho de todo o batizado enviado e
comprometido, aconteça no mundo através do diálogo entre religiões, na busca do
autêntico ecumenismo, que vise compreender e viver a unidade na diversidade, na
superação da miséria, por intermédio de organizações fraternas.
O Evangelho
apresenta os discípulos, no cenáculo, reunidos à volta de Jesus ressuscitado. Para João, esta comunidade passa a ser uma
comunidade viva, recriada, nova, a partir do dom do Espírito. É pelo Espírito
que o discípulo supera o medo, as limitações e testemunha ao mundo esse amor
que Jesus viveu até as últimas conseqüências. É essa ação perene do Espírito que manifesta ao
mundo o mistério da salvação que redime a humanidade. 
Pentecostes é a festa da plenitude da Páscoa. A saudação (Shalom),
como mensagem do Senhor, é um dom messiânico de paz com o sopro do Espírito que faz
nascer o Homem Novo. O espírito profético de Jesus é o grande dom da Igreja,
tornando-a comunidade
que proclama e dá testemunho.
É nesse sopro no Espírito que professamos nossa fé, proclamamos em
alta voz que Cristo é o Senhor e sua obra é maravilhosa. O identificar-se como cristão é dar testemunho dos sinais que definem
Jesus Cristo como o Salvador: A vida dada e o amor compartilhado.
BENDIGAMOS AO PAI QUE NOS
ENVIOU O ESPÍRITO SANTO
E NOS REVESTIU DE FORÇA
PARA TESTEMUNHAR
COM ALEGRIA O CRISTO
RESSUSCITADO.
Vinde, Espírito Santo,
Vinde, Esplendor de Deus Pai!