terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

7º Domingo do Tempo Comum -19/2/2012


O PERDÃO GRATUITO DE DEUS LIBERTA E CURA
A pecada corroe a fonte de vida em nós, tolhe nossa liberdade e nos afasta de Deus. O pecado é como a árvore sem água: seca e perde a seiva da vida. Marcos nos apresentou Cristo como Mestre e Curandeiro, hoje nos apresenta com o pode de perdoar pecados, tendo como paradigma de pecador, um paralítico. O homem se valoriza - auto-estima; se relaciona – fraternidade; e, como meta de vida, encontra-se com Deus. O paralítico estava na contramão dessa relação. Para ela nada era possível, tudo conspirava contra ele. O telhado e amigos é sua salvação o que eleva sua auto-estima. Jesus mostra que o problema está na relação com Deus e não na doença.
A liturgia nos revela o amor misericordioso do Pai, através da divindade de Jesus que perdoa pecados, cura enfermidades e nos ensina o caminho da solidariedade entre irmãos. Deus tem um projeto de salvação que o homem deve acolher com fé.
►O povo desperta e exclama em admiração e louvor: “Nunca vimos coisa semelhante!” Assim deve o agir da Igreja para nos manter conectados com Deus numa convivência pacífica com os seres que nos rodeiam como sinal de amor ao Pai.
Primeira Leitura: Is 43,18-25 Apagarei as tuas transgressões em atenção a Mim!
Isaías, o profeta da consolação, anuncia a esperança de tempos novos de um Deus fiel que mantem a Aliança com seu povo, refletindo Seu amor que não diminui apesar da infidelidade e do pecado. A vitória do amor de Deus se manifesta no perdão: O Deus de amor é o Deus misericordioso. Deus cria um povo novo: “Cancelo tuas culpas, já não me lembrarei de teus pecados” (Mq 7,19).
 Deus se manifesta no pecado com amor, desde que nos aproximamos dEle de coração arrependido: é como uma nova criação. ►O erro deixa vestígios, o pecado pesa e os homens sabem cobrar. Deus,no entanto, perdoa e esquece.
No texto Jahwéh lembra o povo que o passado bom alimenta a esperança e prepara o futuro e o acusa pela infidelidade e indiferença, necessitando de conversão. Na voz do profeta, aproxima-se um novo êxodo, o dia da nova libertação e o regresso definitivo a terra prometida de felicidade permanente.
O contexto coloca a missão de Jesus que veio revelar o rosto misericordioso do Pai que cura e perdoa o Povo que necessita percorrer um caminho de conversão e de renovação, antes de poder acolher a salvação libertadora oferecida por Deus. ► A vida cristã é uma caminhada permanente rumo a “terra prometida”.
Salmo Responsorial: O salmo recorda a salvação de Deus, revelada em momentos difíceis como a doença. Deus cura os que agem em favor dos pobres e desamparados.
Segunda Leitura: 2Corintos 1,18-22 Jesus não foi “sim e não”, mas sempre foi sim.
Paulo afirma que seu ministério está centrado na fidelidade de Jesus Cristo, pois nEle se realizaram todas as promessas de Deus. Pelo batismo, no Espírito, os cristãos são chamados a uma dedicação total a Cristo e ao evangelho, dando seu “amém” consciente e coerente. Ele, ao acusar membros da comunidade de pregar por interesse próprios, causa desagrado e perseguição, tendo que deixar Corintos. ►Sua mensagem, como de reconciliação, objetiva desfazer “fuxicos” e mostrar seu verdadeiro apostolado, reiterando sua fidelidade ao Mestre que o marcou com o selo do Espírito Santo. 
Ele recusa o alcunho de ser um meio termo, sim ou não, circunstancial. É um fiel discípulo de Jesus certo de que Deus é fiel às promessas feitas ao povo com seu “sim” sem meio termo. Paulo se exclui da lógica de oportunista e oferece aos homens a verdade, o que lhe assegura a sinceridade e linearidade de vida, merecendo a confiança da comunidade. ►O apóstolo dos gentios nos lembra que ser cristão, como ungidos de Deus, é seguir a Cristo que se fez cumpridor da promessa e percorrer com Ele o caminha da vida e do amor incondicional.
Evangelho: Marcos 2,1-12 O Filho do homem tem na terra o poder de perdoar os pecados.
“Deus perdoa todas suas culpas e cura todas suas enfermidades”. O texto retoma a temática de um Deus que, por meio de Cristo, derrama seu amor, bondade e misericórdia sobre a humanidade sofredora e prisioneira do pecado. ►Cabe ao homem acolher o dom de Deus, ir ao encontro de Jesus e aderir a Sua proposta libertadora que veio apresentar.
Querendo anunciar o sentido da sua presença na história, como enviado de Deus, Jesus dá ao paralítico o perdão dos pecados e cura sua doença. Os escribas, desconhecendo Sua identidade, falam em blasfêmia porque só a Deus cabe perdoar pecados. Jesus, categórico, afirma que perdoa pecados como o faz Deus e sua afirmação não é falsa pretensão, pois o milagre do paralítico que se levanta e caminha é a confirmação. Perdão e cura: sinais do amor de Deus, como libertação total de seus filhos.
O poder de perdoar pecados Jesus delegou a sua Igreja que, em Cristo e por Cristo, recebeu o Espírito Santo para a remissão dos pecados (João 20,23). A Igreja celebra a Eucaristia e o perdão dos pecados, a partir do batismo, no sacramento da penitência. As palavras que ouvimos na confissão: “Teus pecados estão perdoados”, são pronunciadas pelo sacerdote na pessoa de Cristo. ►A consciência do perdão revela ao homem o rosto da misericórdia de Divina e convence o cristão que sua santidade é o reflexo desse amor misericordioso de Deus que o salva.
O relato acontece em Cafarnaum, (o centro de onde irradia a missão de Jesus na Galiléia) numa comunidade judaica onde Jesus continua a propor o Reino por meio de milagres, gestos e sinais da presença do amor de Deus, provocando admiração do povo e recusa dos escribas e fariseus que procuram pretexto para atacá-lo e o acusar. Na casa, pelo telhado, desce um paralítico, protótipo da invalidez, conduzido por amigos que representam a humanidade que não se conforma com o mal que aprisiona pessoas e as torna infelizes.
►Marcos representa a ânsia (fé) com que o mundo espera a libertação que Cristo lhe veio oferecer, colocando o doente frente a frente com Jesus. Jesus abre seu coração, significando que Deus deseja mudanças na vida do povo sofredor. É a reconciliação com a humanidade pecadora.
 

 
O sinal maior da bondade de Deus é a entrega de seu Filho amado: “isto é meu corpo, isto é meu sangue que é dado por vós”.
Pela adesão a Jesus, fica apagado o passado pecador do homem e este recebe uma nova vida.
Bendigamos ao Deus de amor e perdão, porque em Cristo nos ensinou e reconciliou partir da recuperação e libertação plena do ser humano.
O gestos de solidariedade favorece o encontro com Cristo e a experiência de sua misericórdia.

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quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

6º Domingo do Tempo Comum -12/2/2012

AQUELE QUE CRÊ EM JESUS SERÁ CURADO.
SE QUERES, TENS O PODER DE ME CURAR! 
A liturgia deste domingo nos mostra a realidade das pessoas com lepra e, por isso, discriminadas, excluídas da convivência humana e jogadas no abismo da segregação. Hoje muitos irmãos nossos sentem a precariedade da convivência e sofrimento em razão da pobreza, da miséria e do isolamento cultural, religioso e econômico, como se a vida se resumisse apenas na aparência ou no ter. Jesus Cristo, com seu amor revolucionário e misericordioso, nos apresenta a nova realidade de vida onde todos, como filhos de Deus, devem ser integrados à comunidade para viver como seres humanos em qualquer circunstância.
►A doença não é castigo de Deus nem consequência do pecado. Por isso: ►Jesus, o Cristo, cura o leproso com um amor que só o Filho de Deus pode oferecer.
O DEUS DE AMOR, DE BONDADE E DE TERNURA CONVOCA A HUMANIDADE TODA (sem exclusão) PARA INTEGRAR A COMUNIDADE DOS FILHOS AMADOS.
Primeira Leitura: Levítico 13,1- 2.44-46 O leproso deverá morar à parte, fora do acampamento 
 O Levítico trata de leis, preceitos e culto a Jahwéh e da relação do Povo de Deus em consequência da Aliança, através de Moisés no Sinai, a fim de viver em comunhão com Deus, como a verdadeira vocação do homem. O texto reflete a situação de sofrimento humilhante de pessoas por causa da doença e sua exclusão da sociedade e as prescrições para curar o leproso, afim de reintegrá-lo na comunidade. A readmissão, acompanhada de um sacrifício de expiação, demonstra que a lepra estava ligada ao pecado e ao isolamento como sinal de impureza.
 ►Uma imagem deturpada da doença, como “tabu”, levava os homens a discriminação e rejeição do doente em nome de Deus. O paciente apresentado era banido pela autoridade religiosa sem qualquer função terapêutica, visando impedir o contágio. (Lepra, como impureza, tinha o significado de diversas enfermidades da pele e, por razões religiosas, ameaça à integridade das pessoas pelo contágio). 
►O texto não apresenta nenhuma catequese do comportamento do homem com Deus, mas nos prepara para entender a boa nova trazida por Jesus, demonstrando que Deus não exclui ninguém e que todos são chamados a integrar a família dos filhos de Deus (no evangelho).
Salmo Responsorial: O salmo ressalta que a confiança, na misericórdia e no perdão de Deus, possibilita celebrar a salvação com alegria e gratidão.
Segunda Leitura: 1Coríntios 10,31-11,1 Sede meus imitadores, como eu o sou de Cristo
Paulo instrui os cristãos de Corintos, judeus, pagãos e a Igreja de Deus, para viver o que é essencial para um cristão: “Fazei como eu... Sede meus imitadores como eu o sou de Cristo”. É preciso discernir: tudo é lícito, mas nem tudo convém. O critério da conduta deve ser a glória de Deus e o serviço do irmão.
O texto se reporta às instruções de Paulo sobre a atitude de comer ou não carne de animais imolados a ídolos e que era comercializada, o que gerava controvérsia. ►Para Paulo ídolo é nada, mas aconselhava evitar comer dessa carne para não escandalizar os fracos na fé. O cristão, tendo em mente a glória de Deus, deve olhar o bem dos irmãos. Ser livre é viver a fé e os valores evangélicos em função de um bem maior: o amor fraterno.
Evangelho: Marcos 1,40-45 A lepra deixou-o e ele ficou limpo
Marcos relata a cura do leproso, uma síntese dos milagres realizados por Jesus na Galiléia, região pobre e desprezada pelos judeus. Como a lepra, característica de enfermidade contagiosa, o leproso era o protótipo do marginalizado, do excluído, segregado e afastado da comunidade. Ele, no entanto, se aproxima de Jesus, implora de joelhos sua cura, confiante no poder salvador. Sua súplica é profissão de fé no Salvador. Jesus, cheio de compaixão, rompe preconceitos e “tabus”, estende-lhe a mão, toca-o e devolve-lhe a saúde e o reintegra a comunidade. ►Grato pela dádiva ele se transforma em testemunho da Boa Nova do Reino, a realidade no mundo e na vida dos homens.
O leproso, de sua parte, vence preconceitos e as barreiras que o afasta da comunidade e, na esperança de sair da miséria, se aproxima de Jesus humilde e suplicante. Ele sabe que é a sorte de sua vida e ele não pode desperdiçar: O “se quiseres, podes purificar-me” é sua chance. Chega de ser impuro e indigno de pertencer à família de Deus e da comunidade. Ele confia. Jesus, lendo seu coração, estende-lhe a mão com amor e o liberta: “Eu quero, fica curado!” ►Deus não discrimina ninguém e deseja amar e oferecer liberdade a todos seus filhos e os convida a integrar a Família do Reino, como símbolo da purificação.
Jesus, com seu gesto compassivo, ao reintegrar o leproso na comunidade, assegura que ninguém é excluído da família dos filhos de Deus. Somos impelidos, por isso, a ter a audácia do leproso para nos aproximar do Salvador, sentir seu amor e confiar a Ele nossa esperança de salvação.
►Que celebração litúrgica nos faça sentir essa grande compaixão de Jesus que, frente ao sofrimento humano, estende a mão e promove a cura. Que o Senhor em sua eterna bondade nos faça sensíveis às necessidades dos sofredores e necessitados, porque Ele não pactua a miséria e o sofrimento.

AMAR É TOMAR PARA SI AS DORES DE QUEM SOFRE E LUTA POR DIGNIDADE E JUSTIÇA. É SER SOLIDÁRIO, É VER NO PRÓXIMO UM IRMÃO, É ESTENDER A MÃO E CURÁ-LO ATRAVÉS DA SIMPLES APROXIMAÇÃO.

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terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

5º Domingo do Tempo Comum, 5/2/2012

A VERDADEIRA FELICIDADE ESTÁ NO SERVIÇO DO REINO!
Todos Te procuram.
Que sentido tem o sofrimento e a dor para a humanidade?  E Deus como reage a esse drama?  A vida é trabalho e provações. A liturgia desse domingo nos faz refletir sobre este dilema, já que o projeto de Deus para o homem é um projeto de vida e felicidade, longe da morte. Jesus tem a ciência e o poder de curar doentes e a Igreja, nos caminhos de Cristo, através da pastoral da saúde e da solidariedade, continua Sua obra. Jesus vem à casa de Pedro, o representante da Igreja, e comprova que, como Mestre, conforta, orienta e também cura. ►Curar é um desafio de especialista e Jesus, como o Mestre, continua até hoje a curar. A pastoral de Cristo vai além da cura física: ela nasce da sede de Deus que plenifica e dá sentido à vida, cabendo a nós fazer memória da ação de Jesus junto aos doentes.
Primeira Leitura: Jó 7,1-4.6-7; Agito-me angustiado até ao crepúsculo!
O livro de Jó é um clássico de beleza literária e apresenta reflexões sobre as questões da vida humana neste mundo e sua relação com Deus, com reflexo no sentido da vida de cada um.  O texto retrata a vida atribulada de Jó frente às provações que a vida lhe prepara. Como herói da história é um homem piedoso, com família numerosa, bom e generoso. Com doença grave, perde tudo, mas não perde a fé e a solidariedade. Para ele sofrimento é castigo de Deus, mesmo assim procura entender o sentido da vida e clama ao Deus da aliança, lembrando que sua vida é um sopro. ►Cristo, que por amor carregou as dores da humanidade até a morte, é a resposta ao mistério desse sofrimento.
O drama de Jó é uma catequese aos israelitas, mostrando a justiça de Deus em relação à conduta do homem: Jahwéh recompensa as boas obras e castiga os maus pela prática da injustiça e arbitrariedade com seus irmãos. O povo viva a ilusão de que o rico, vive em abundância, com vida longa e feliz, enquanto o pobre que sofria injustiças e violência dos poderosos, vive uma vida miserável, embora justo e piedoso. É essa a justiça de Deus. Jó se rebela contra essa teologia tradicional, rejeitando essa falsa imagem de Deus. ► Deus não é calculista e respeita a liberdade de cada um. Ele encontra a face do verdadeiro Deus e Pai no sofrimento e da dor. Dá como exemplo a vida de soldado, a de escravo e a do trabalho assalariado, como estado de vida sofredora, julgando-se o pior sofredor.
Salmo Responsorial:  O salmo ensina a confiar em Deus que conforta e cura os corações esmagados pela dor.
Segunda Leitura: 1Coríntios 9,16-19-22-23 Ai de mim se não evangelizar!
Paulo, a exemplo do Mestre, se fez servo, sabendo que evangelizar é uma obrigação e não escolhe. Tal determinação exige entrega e doação a serviço do evangelho. Apóstolo é aquele que vivencia experiências humanas na convivência fraterna, buscando o verdadeiro sentido da acolhida, indo ao encontro do outro. ►Por causa da Boa Notícia de Cristo, o batizado se torna livre para o serviço de todos. Paulo é o exemplo do apóstolo escolhido por Deus, sem nada exigir em troca. O texto sublima a obrigação assumida pelos discípulos em levar ao homem a proposta libertadora de Jesus por amor a Deus e ao irmão, como uma oferta gratuita, sem interesse pessoal ou título de glória.
Anunciar o evangelho, na catequese de Paulo, é obrigação e privilégio, pois quem se apaixona por Cristo, enfrenta o desafio, tornando-se paixão levar ao homem a Boa Novo do Mestre.  O “Ai de mim se não anunciar o Evangelho” traduz esse imperativo que Paulo sente e que brota do seu amor a Cristo, ao Evangelho e aos homens. Evangelizar, portanto, por iniciativa própria sem o ímpeto evangélico do “pescador de homens”, é buscar interesses, contrapondo o evangelizar por amor e renúncia de si mesmo. A síntese de Paulo é o amor a Cristo e renúncia dos próprios direitos, fazendo-se servo: Tudo para todos, sem acomodação.
 Evangelho: Marcos 1,29-39 Curou muitas pessoas, atormentadas por várias doenças.
Jesus, acompanhado de Tiago e João, visita André e Simão cuja sogra se encontra enferma. O texto sintetiza o espírito de Jesus diante do sofrimento e da doença. Os que sofrem nesse mundo esperam de nós coerência com a Boa Nova de Cristo. A mulher prostrada representa as vítimas do pecada e de situações desumanas. Jesus nos mostra o caminho da solidariedade ao se aproximar de cada um, estendendo-lhes Sua mão misericordiosa. Ele proclama a salvação, curando e libertando pessoas de todos os males e aflições, mesmo os que se opõem ao seu plano de amor. ►Os incrédulos discípulos vão se familiarizando e crendo no Envidado de Deus, fazendo com que a comunidade do Reino seja aos poucos formada.
Marcos apresenta Jesus como o Messias que proclama uma nova realidade no mundo, o Reino de Deus. Jesus, em comunhão com o Pai, vence mal e a dor que escraviza o homem e anuncia mundo novo de liberdade e paz. Cura com simplicidade e sem fazer teatro, oferecendo vida definitiva. Ele, cumprindo a missão do Pai, toma a iniciativa de livrar as pessoas de sofrimento e do que lhe rouba a vida. ►Jesus revela a presença amorosa de Deus, carregando nossas dores e sofrimentos, ensinando-nos a continuar a construção de um mundo novo.  O exemplo de Jesus mostra que o Novo Reino está ligado a uma vida em comunhão e de diálogo com Deus.
Viver em comunhão com Deus, não é fugir do mundo ou alienar-se dos problemas do mundo e dos dramas dos homens.  É, sim, tomar consciência de que o projeto de Deus para o mundo é um ponto de partida para o compromisso com o Reino. É na comunhão e no diálogo íntimo com Deus que percebemos seus desígnios e percebemos a força de Deus para nosso empenho na transformação do mundo. É preciso, portanto, que o discípulo encontre espaço, na sua vida, para a oração, para o diálogo com Deus para “encarar” o mundo.

A MISSÃO DO CRISTÃO É DE SEGUIR OS GESTOS DO MESTRE: APROXIMAR-SE DAQUELES QUE NÃO TÊM FORÇAS PARA MANTER-SE EM PÉ E ERGUÊ-LOS DA CONDIÇÃO DESUMANA NA QUAL SE ENCONTRAM E SER SERVOS DO IRMÃO E DO EVANGELHO. PERCEBEMOS NAS AÇÕES DE JESUS GESTOS DE QUEM ESTÁ PREOCUPADO NÃO SÓ EM RECUPERAR A SAÚDE, MAS PROMOVER O SER HUMANO PARA UMA VIDA DIGNA, SAUDÁVEL E REINTEGRADA À SOCIEDADE. É MISSÃO DA IGREJA É CONTINUAR A AÇÃO DE JESUS NA HISTÓRIA. POR ISSO, ELA PROPÕE A SAÚDE COMO REFLEXÃO PARA A CAMPANHA DA FRATERNIDADE DESTE ANO, TRAZENDO COMO TEMA: FRATERNIDADE E SAÚDE PÚBLICA, E COMO LEMA: QUE A SAÚDE SE DIFUNDA SOBRE A TERRA.  O PROPÓSITO É SENSIBILIZAR A SOCIEDADE SOBRE A REALIDADE DE IRMÃOS E IRMÃS QUE NÃO TÊM ACESSO A SAÚDE PÚBLICA, CLAMANDO POR AÇÕES TRANSFORMADORAS.


quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

4º Domingo do Tempo Comum-22/01/2012

JESUS PROCLAMA COM AUTORIDADE UM ENSINAMENTO NOVO
Aquele que nEle crê e se converte, deve anunciá-LO com todo o ardor: profeta é um porta-voz.
Com autoridade de seus ensinamentos, Jesus veio libertar a humanidade e decreta o final do reinado do mal. A liturgia nos apresenta esse Cristo que revela, por meio de palavra e gestos, Sua autoridade de verdadeiro Mestre, realçando seu caráter profético de vida e ação, numa alusão aos patriarcas e profetas. Profeta é uma pessoa de Deus que fala e faz o que Deus deseja revelar com autoridade divina e vencer as forças do mal. ►O povo vê nele algo superior aos mestres da lei e autoridades religiosas e, embora incrédulo, crê em Sua autoridade e espalha a boa notícia: Ele é o Filho de Deus feito homem, O libertador, O Mestre que tem uma doutrina segura e dá testemunho do que vive. ELE BATE A NOSSA PORTA.
Primeira Leitura: Deuteronômio 18,15-20.
Farei surgir um profeta e porei as minhas palavras na sua boca.
O texto se refere ao papel e significado do profetismo. Deus nos apresenta a figura do profeta, o anunciador de suas palavras e de realizar sinais, como fez na aliança do Sinai. Moisés, o mediador entre Deus, que faz conhecer sua vontade, e Seu Povo, deixa ao Povo testamento espiritual que lembra os hebreus dos compromissos com Jahwéh. A missão do profeta, como alguém escolhido por Deus e que viva no meio dos homens, é ser Sua Palavra que perenize fidelidade à aliança.  O fundamento teológico é da existência de um só Deus, que deve ser adorado por todo o Povo num único local de culto, Jerusalém.   ►Jahwéh elegeu Israel como o Povo para essa aliança.
O fenômeno profético, comum entre os povos e normalmente ligado a adivinhações e coisas do gênero, fez com que a catequese do autor discernisse com critérios o falso do verdadeiro, colocando Moisés como o protótipo do verdadeiro. A iniciativa de escolhê-lo foi de Deus. Na vocação de Moisés está Deus que o enviou em missão a seus irmãos. O profeta transmite Sua mensagem que deve ser ouvida e seguida. O próprio Deus pedirá contas de quem fechar seu coração às mensagens recebidas. ►A vocação profética é um dom de Deus que o torna instrumento a agir com fidelidade e humildade na comunidade eclesial. A missão profética do batizado é o serviço de Deus e ser protagonista de Seus ensinamentos, cumprindo uma missão, sem esquemas pessoais, interesseiros e egoístas.
Salmo Responsorial:
O salmo exorta a não fechar o coração para ouvir a voz do Senhor, sendo obediente a sua palavra.
Segunda Leitura: 1Corintos 7,32-35.
A virgem preocupa-se com os interesses do Senhor, para ser santa.
O texto é um ensinamento de como viver a alegre disponibilidade a serviço do Reino junto aos irmãos. É um convite a repensar prioridades sem deixar que realidades transitórias se tornem o imperativo da vida que transtorne nossa relação com Deus e o irmão. A comunidade de Conrintos, pela diversidade filosófica contraditória existente, tinha uma perspectiva diversa do sentido da vida, sobre a forma de realização completa e ser feliz, conforme o evangelho. Tratava-se da questão da ética sexual: casamento x celibato.
Paulo prega o equilíbrio, face aos exageros. Condena a desordem sexual, defende o matrimônio e elogia o celibato, a virgindade. Afirma, para este fim, que o Senhor nada preceitua, mas recomenda ao casado, fidelidade e, ao celibatário, que se mantenha. O cristão, ao fazer suas opções, deve lembrar que o tempo é breve. A vida casta consagrada, sinal de desprendimento, está mais disponível às coisas de Deus e dos irmãos. O casado vive a família e seu sustento, o mundo. Ambos os estados de vida fazem parte da vida humana. ►O que importa é viver a fidelidade na vida real, voltada para a vida em e para Deus. O essencial para o cristão é o bem maior, o amor a Cristo e ao irmão, nessa vida peregrina rumo à casa Paterna.
Evangelho: Marcos 1,21-28. Ensinava-os com autoridade de Mestre.
Preso João Batista, Jesus volta para Cafarnaum, na Galiléia, de onde irradia seu ministério por meio de ensinamentos e ação salvadora, como o Messias, o consagrado de Deus. O texto mostra como Jesus, o Filho de Deus, cumprindo o projeto misericordioso do Pai, por suas palavras e ações solidárias, renova e transforma em homens livres aqueles que vivem prisioneiros do egoísmo, do pecado e da morte.   Diante dessa força divina o espírito impuro, símbolo do poder opressor, retrocede e se afasta: “Que queres de nós, Jesus Nazareno? Tu és o Santo de Deus”.  “Cala-te e sai dele!” Intima Jesus. ►Como seguidores e profetas do Senhor, escutar a Boa Nova que traz vida e salvação para os oprimidos, doentes e marginalizados, devemos ser sinais do céu para nossos irmãos na comunidade, na Palavra e na eucaristia.

Marcos deseja a descoberta de Jesus como o Messias que proclama o Reino de Deus. Com suas palavras catequéticas nos convida a ouvir as revelações de Jesus e seguir Seu anúncio, fazendo de nós Seus discípulos que abraçam Sua proposta salvadora a dizer como Pedro: “Tu és o Messias”. A cena acontece em Cafarnaum, onde Jesus inicia Seu ministério, como o verdadeiro Messias libertador, cercado pelos primeiros discípulos.
Imaginemos Jesus, um simples judeu, entrando na sinagoga onde acontece uma liturgia sabática com ações próprias como leituras, cânticos e bênçãos. Ele, ao comentar alguma leitura, faz suas alusões, fugindo do comum dos escribas, causa “frenesi” aos participantes, maravilhados com suas palavras ditas com autoridade e firmeza.
Um homem com um espírito impuro aparece em cena. Para o Judeu uma pessoa com doenças tinha origem desses espíritos e, por isso, considerada impura e afastada da comunidade. Só Deus podia curá-la. Jesus com proposta libertadora veio curar os doentes e pecadores. A ação da cura do homem possuído de espíritos maus se constitui na prova da proposta libertadora, vinda de Deus. ►Este homem é o protótipo das pessoas excluídas e violentadas pelos poderosos do mundo egoístico e explorador cuja cultura é a auto-satisfação.  Deus, porém, não desiste da humanidade, propondo aos homens um projeto de liberdade e de vida plena, capaz de renovar o mundo.

A MISSÃO DO DISCÍPULO É CONTINUAR A OBRA DE JESUS E ASSUMIR A LUTA PELA IGUALDADE.

Seguir Jesus é arregaçar as mangas e lutar contra a lógica do mundo que rouba vida e liberdade.

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