quarta-feira, 7 de março de 2012

3º Domingo da Quaresma 11/3/2012

O MANDAMENTO DO SENHOR É FONTE DE VIDA E SALVAÇÃO..
CONVERTEI-VOS!
Este período quaresmal deseja sensibiliza-nos a sentir a dura realidade das pessoas sem acesso à assistência da Saúde Pública, por suas necessidades e dignidade. Por isso, somos convidados a lutar contra essa estrutura de morte com ações que visem um olhar de igualdade fraterna pela nossa conversão e dos responsáveis. Com o coração sincero sejamos solidários com nossos irmãos que sofrem na jornada, longe do mercado de trabalho e até da Igreja e seus irmãos de fé. A liturgia nos situa no templo de Deus como lugar de encontro com Deus e com os irmãos. As igrejas, na história, foram o orgulho do povo cristão. Nelas encontramos as mais belas obras arquitetônicas, de música e de arte.
Jesus se apresenta como o purificador do templo e nos deixa um recado de que o recinto é sagrado, espiritual e místico, ao expulsar seus profanadores. Ele nos deixa, também, uma dimensão nova do templo espiritual que é o corpo humano: somos a imagem e semelhança de Deus. Consagrados pelo Batismo, que nos fez santos, tornamo-nos templos do Espírito Santo, como morada Divina. Zelar por este templo é mantê-lo saudável material e espiritualmente para torná-lo habitáculo do Altíssimo. ►A beleza deste templo nos leva à santidade por Cristo, em Cristo e com Cristo, lembrando que “quanto mais humanos formos, mais divinos seremos”.
Primeira Leitura: Êxodo 20,1-17 - A Lei foi dada por Moisés
Deus, através de Moisés, oferece os Dez Mandamentos como condição da Aliança que fez com seu Povo, estabelecendo que a fidelidade seja a segurança de uma relação amorosa com Ele como libertador da escravidão do Egito. As Leis de Moisés são normas fáceis e singelas que regulam nossa caminhada pela vida. São indicações que direcionam as dimensões fundamentais da nossa existência: nossa relação com Deus e com nossos irmãos. Seguir as normas é caminhar para uma vida segura, de liberdade e de paz para a felicidade/santidade. ►O amor é a alma dos Mandamentos.
O texto se refere à Aliança entre Jahwéh e Israel no Sinai, local onde Deus se revelou a Moisés. Os Mandamentos são o coração da Aliança e definem o caminho de Israel e suas obrigações como Povo de Deus. O decálogo cria as relações do povo Judeu com Deus e seu próximo. Jahwéh é o único Deus de seu Povo, o centro de sua existência: “não farás imagem esculpida e não terás outro deus, senão a mim”.
Os 6 últimos mandamentos são as relações comunitárias: o respeito pelo próximo, sua vida, direitos e bens. Diretrizes ligadas à liberdade, justiça, respeito pela pessoa e sua dignidade. As Leis se reportam às relações de dependência e respeito na família e na comunidade: “honra teus pais, não matarás, não cometerás adultérios...”.
Na relação do homem com Deus, o decálogo ressalta a centralidade de Deus no coração e na vida do seu Povo. Muitos deuses nos seduzem (dinheiro, poder, fama, egoísmo) e nos fazem a prescindir de Deus, tirando-nos do caminho da liberdade e da fidelidade. Quaresma é tempo de conversão e de amor ao irmão, redescobrindo o verdadeiro papel de Deus em nossa existência. O que atenta contra a vida, a dignidade e direitos do outro, geram morte e sofrimento, subvertendo o amor de Deus  ►Vamos nos questionar e sentir que “deuses” nos seduzem, condicionando nossa vida, nossas tomadas de posição e opções, e qual o espaço de Deus em nossa vida e o amor ao irmão.
Salmo Responsorial: Os ensinamentos do Senhor são mais valiosos que o ouro e mais doces que o mel e contêm a sabedoria que proporciona alegria.
Segunda Leitura: 1Coríntios 1,22-25
Nós pregamos Cristo crucificado, escândalo para os homens, mas sabedoria de Deus para os chamados.
A paixão e a cruz de Cristo confundem os sábios e manifestam a força de salvação de Deus para os homens de fé. Nessa dimensão está a pregação de Paulo: o Cristo crucificado e sugere uma conversão na lógica de Deus. A Igreja é chamada a anunciar, como dom da vida, a palavra cruz, sinal supremo do amor de Deus. O chamado de Deus mostra o crucificado como o salvador, fazendo o cristão crer, o que vai além de nossa sabedoria e que o mundo chama de loucura porque a lógica do Evangelho não pode ser colocada na mesma lógica do mundo.  Como templos do Senhor, nosso sinal deve ser o da Cruz. Na mesma lógica, não podemos pretender que Deus se adapte a nossos interesses pessoais. É preciso descobrir que a salvação está na cruz, no amor total e no dom da vida pelo serviço humilde ao irmão.  
Evangelho: João 2,13-25 Destruí este templo e em três dias o levantarei!
Jesus se apresenta como o novo Templo e por um culto autêntico: “Destruí este templo”, um mistério só entendido na ressurreição: o templo é Seu próprio corpo, por isso nossa celebração (cantos e orações) deve ser significativa para Deus. O que agrada a Deus é o amor solidário, a partilha do pão, a acolhida fraterna que se elevam aos céus e nos transformam em templos de Deus. A comunidade, templo vivo de Deus, reúne-se com Ele, por Ele e nEle, tornando-se templos de pedras vivas e morada do Espírito.
A cena acontece no majestoso Templo de Jerusalém (de 19 a.C a 27 d.C. por Herodes) nos dias que antecedem à Páscoa quando grande multidão de dirigia ao Templo, propício aos comerciantes. O sistema foi muito criticado por Isaias pela forma dos sacrifícios oferecidos, considerando estéreis e vazios, pois o verdadeiro implicava purificação e moralização e eliminação do comércio no templo do Senhor. Neste contexto Jesus se revela como o Messias, indo além dos profetas, alterando substancialmente o culto. Os líderes judaicos tinham suprimido a presença de Deus, criando exploração, miséria e injustiça.
Jesus, o Filho de Deus, com autoridade, acaba com a “festa”: “Não façais da casa de meu Pai casa de comércio”! Deixando-os perplexos e indignados: quem era Ele para assumir tal atitude abolindo culto a Jahweh? A resposta de Jesus foi ainda mais surpreendente: “Destruí este Templo e Eu o reconstruirei em três dias”! João é claro: Ele se referia ao Templo de Seu corpo, consubstanciado na Ressurreição, o novo Templo. No judaísmo, templo era a residência de Deus de onde se revelava. Jesus, agora, é o lugar onde Deus reside e se comunica com os homens, estabelecendo relações Deus-homens. É através dEle que o Pai nos oferece amor e vida plena. O verdadeiro culto que Deus espera não é de ritos pomposos, mas vazios e estéreis. O culto que agrada a Deus é uma vida de escuta de suas mensagens, traduzidas em gestos concretos de doação e de serviço simples e humilde aos irmãos. Ao sermos capazes de sair do nosso comodismo para ir ao encontro do pobre, do marginalizado, do doente, estamos dando a verdadeira resposta litúrgica de amor à generosidade que Deus nos dispensa. Ao gesto profético de Jesus, os líderes judaicos respondem com arrogância, por se julgarem os donos da verdade, como intérpretes da vontade divina. O orgulho os deixa cegos a ponte de não perceberem o projeto de Deus. Por vezes, não agimos assim?
O texto nos ensina como encontrar e chegar até Deus: é olhar para Jesus e observar suas palavras e Seus gestos. O cristão é aquele que, aderindo a Cristo, aceita com responsabilidade integrar Sua comunidade, como membro de seu Corpo, como verdadeiras pedras vivas desse novo Templo onde Deus se manifesta ao mundo para oferecer vida e salvação. Nosso testemunho pessoal deve ser sinal para os homens de que Deus caminha ao nosso lado. ► Que os homens do nosso tempo sintam no rosto dos cristãos o rosto bondoso e terno de Deus, vendo os gestos de fraternidade, de amor e de perdão. O fiel cristão é sinal da vida nova de Deus voltado para a justiça e a paz para o mundo.
O verdadeiro culto que Deus espera não é de ritos pomposos, mas vazios e estéreis. O culto que agrada a Deus é uma vida de escuta de suas mensagens, traduzidas em gestos concretos de doação e de serviço simples e humilde aos irmãos. Ao sermos capazes de sair do nosso comodismo para ir ao encontro do pobre, do marginalizado, do doente, estamos dando a verdadeira resposta litúrgica de amor à generosidade que Deus nos dispensa. Ao gesto profético de Jesus, os líderes judaicos respondem com arrogância, por se julgarem os donos da verdade, como intérpretes da vontade divina. O orgulho os deixa cegos a ponte de não perceberem o projeto de Deus. Por vezes, não agimos assim?

A Igreja é esse “templo de Deus” onde qualquer homem ou mulher, independentemente de sua condição social, pode encontrar essa proposta de libertação e de salvação que Deus oferece a todos?

A vida de nossas comunidades dá testemunho dessa vida íntima com Deus como um sinal de Sua bondade ao irmão que caminham ao nosso lado?
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quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

2º Domingo da Quaresma 04/3/2012

“EIS MEU FILHO MUITO AMADO, ESCUTAI-O TODOS VÓS!” 
No tempo de Quaresma a Igreja, pela Campanha da Fraternidade, nos convida a escutar o clamor dos sofredores, causado pela precariedade da saúde pública no Brasil. A nossa conversão depende da obediência à voz de Deus e da Igreja, que nos chama a lutar contra o mal que destrói e mata a vida, tirando os meios necessários à saúde. ►O cristão consciente vive na alegre esperança de ver um dia a face resplandecente de nosso Deus brilhar num mundo sem dor, sem sofrimento e saúde para todos.
Nesse Domingo da transfiguração do Senhor, a Palavra de Deus define o caminho que o verdadeiro discípulo deve seguir para chegar à vida nova. O caminho é a escuta atenta da voz do Pai e seus projetos, em obediência total e radical ao seu plano de salvação. Por isso, subir a montanha com Jesus e os três discípulos, é fazer a experiência de Sua intimidade, sentir Sua glória e escuta de Sua palavra. É celebrar a páscoa que acontece em todas as pessoas, grupos e comunidade que descobre o rosto transfigurado do Pai nos rostos desfigurados dos pobres e sofredores.
Primeira Leitura: Gênesis 22,1-2.9a.10-13.15-18-O sacrifício do nosso Patriarca Abraão
O texto apresenta Abraão como o paradigma de fidelidade a Deus, vivendo em constante escuta e obediência a Sua vontade. Ele foi posto à prova e testado por  Deus.  Nesta perspectiva, Abraão é o modelo de fé que percebe o projeto de Deus e o segue de todo o coração.  Crê que pode ser pai apesar da velhice dele e de Sara.  Sua fé e obediência culminam no episódio em que, ouvindo a voz de Deus, se propõe a oferecer-Lhe em sacrificar o seu filho único, merecendo as bênçãos Divinas derramadas sobre todos seus descendentes: como um Selo de Garantia.
A vida de Abraão se torna dramática quando Jahwéh pede-lhe em holocausto Isaac seu único e herdeiro filho da promessa e da garantia de descendência na terra prometida objeto de sua peregrinação, parecendo que Deus relutava de sua promessa. Não! Seria absurda uma exigência que negasse a história da salvação. Deus não destruiria um sonho que Ele ajudou a criar. Abraão simplesmente confia: “Aqui estou” e sem discutir e argumentar põe-se a caminho.  No “monte do sacrifício”, vítima no altar e a faça em punho, como sinal de extrema obediência. A prova à vontade Divina é conclusiva: ele teme a Deus. Sua recompensa é gerar plenitude de vida e bênçãos divinas para todas as nações da terra, iniciando por Isaac.
A catequese mostra quem é Deus como Ele age, o que é comprovado pela obediência de Abraão, gerando recompensa eterna e universal. Mostra que o homem de fé deve acolher os planos de Deus e realizá-los com fidelidade mesmo as atitudes incompreensíveis para ele ou que desafiam nossos projetos.
Como Abraão é colocar Deus como centro de tudo como prioridade fundamental, doando sua vida como um dom total. Na vida moderna nem sempre Deus ocupa o lugar central que Lhe é devido. Poder, dinheiro, carreira profissional e interesses são prioridades
Responsório: O Salmista confia no Deus da libertação em meio à adversidade. O justo confia no Senhor que liberta os pobres e necessitados.
Segunda Leitura: Romanos 8,31b-34 Deus não poupou o seu próprio Filho.
Paulo se reporta à unidade da Igreja e o evangelho a força que a congrega. Exorta os cristãos a seguir as pegada de Jesus, vencer as barreiras com a esperança do êxito final.  Deus ama seus filhos a ponte de enviar seu Filho par lhes ensinar o caminho da vida plena e lutou até a morte contra tudo que oprimia e escravizava o homem. É Deus quem nos justifica, apesar de nossas  infidelidades. O amor de Deus veio por Cristo que tocou nossas exigências, capacitando-nos para a vida plena. Nos momentos de crise, de desilusão e orfandade, a Palavra de Pai grita: “não tenhais medo, Deus vos ama!”.
Cristo na cruz nos tornou justos ao interceder ao Pai por nós. A obediência a Deus está acima dos próprios laços de sangue. O texto lembra que Deus nos ama com um amor imenso e eterno. A melhor prova desse amor é Jesus, Seu Filho amado que morreu para ser ao homem o caminho da vida verdadeira. Assim sendo, o fiel batizado que ama com fé, seguindo o caminho do Mestre, não teme e deve enfrentar a vida com serenidade e esperança: Se Deus é por nós, quem será contra nós?  Nada nos separará do amor de Cristo que nos redimiu. Nele temos a certeza da vitória e da transfiguração. É preciso ter a fé de Abraão.
Evangelho: Marcos 9, 2-10  Este é o meu Filho muito amado!
O Evangelho relata a transfiguração de Jesus. Os discípulos Pedro, Tiago e João sentem na carne a experiência mística e antecipada da ressurreição, sem entender seu significado. Moisés e Elias, conversando com o Salvador, mostram que Jesus aponta para o projeto da lei e dos profetas à luz do Êxodo. Moisés e Elias revelam a realidade trazida pelo Messias: O Cristo vitorioso é o Filho amado do Pai que deve ser ouvido.. A ressurreição é o sinal da vitória: do desfigurado para o glorioso. ►As comunidades cristãs devem refletir o sinal dessa transfiguração e anunciar um mundo novo como antecipação da ressurreição final. Transfigurar-se é a transformação do velho para o novo homem.
O texto tem suas mensagens e simbolismos: 1) a montanha como lugar de retiro, oração; 2) as vestes brancas como transformação pessoal; 3) as tendas como sinal da presença de Deus; 4) a nuvem como presença de Deus ou como a escuridão da vida; 5) a VOZ como a palavra de Deus;  6) Moisés e Elias  como as figuras símbolos do antigo testamento; e 7) o rosto resplandecente como o gozo na glória de Deus.. ► A transfiguração de Jesus é, portanto, o prenúncio da glória que há de vir: a Pátria Celeste. É preciso descer o monte, assumir o batismo, a filiação e enfrentar os conflitos que nos esperam com dedicação.  
A transfiguração antecede ao primeiro anúncio da paixão quando Jesus pede que cada um tome sua cruz e o siga, deixando os discípulos frustrados que vislumbram cruz e não vitória. A morte na cruz, substituindo honra e glória. A mensagem quer revelar quem é Jesus. O episódio serve de ânimo aos discípulos que percebem que o anúncio de Jesus procede de Deus. A transfiguração é, portanto, uma manifestação Divina como catequese subliminar do plano de Deus através do Filho amado. Ele é o Filho de Deus que se fez Homem pelos homens. ►Pedro resume o espírito que transforma o ânimo dos discípulos: Mestre é bom estar aqui! Jesus ordena silêncio até Sua vitória final, a Ressurreição.
A transfiguração de Jesus nos grita, do alto daquele monte: não desanimeis, pois a lógica de Deus não conduz ao fracasso, mas à ressurreição, à vida definitiva, à felicidade sem fim.

A religião não é um ópio que nos adormece, mas um compromisso com Deus, que se faz compromisso de amor com o mundo e com os homens.


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sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

4-Feira de Cinzas 22/02/2012

EIS O TEMPO DE CONVERSÃO: ORAI, JEJUAI E VIVEI A CARIDADE
Campanha da Fraternidade 2012
Tema: "Fraternidade e saúde pública",
Lema: "Que a saúde se difunda sobre a terra!"
Todos os anos no período quaresma,  empo de conversão, a CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) realiza a Campanha da Fraternidade, que tem por objetivo despertar a solidariedade de seus fiéis e de toda a sociedade em relação a um determinado problema que envolve a humanidade, na busca de uma solução.
Para 2012, a CNBB apresenta como tema "Fraternidade e Saúde Pública" e como lema "Que a saúde se difunda sobre a terra".
O objetivo desta campanha é refletir a dificuldade de milhões de brasileiros que necessitam da assistência pública de saúde. “É uma realidade que clama por ações transformadoras. A conversão pede que as estruturas de morte sejam transformadas”, alerta o texto-base da campanha.
A Campanha da Fraternidade, iniciativa da CNBB, acontece desde 1964 e convida todos os cristãos a refletir um tema atual e desafiador para a sociedade brasileira. A discussão do assunto acontece ao longo de todo o ano, mas é intensificada durante o tempo quarmesmal.
Com a imposição das cinzas, se inicia uma estação espiritual particularmente relevante para todo cristão que quer se preparar dignamente para viver o Mistério Pascal, quer dizer, a Paixão, Morte e Ressurreição do Senhor Jesus.
Porque tu és pó e ao pó hás de voltar (Gn.3,19)
Convertei-vos e crede na Boa Nova (Mc.2,25)
Chegou o tempo da graça: a quaresma. Tempo de preparação para celebrar nossa fé na Páscoa do Senhor Jesus. De hoje até a 5ª-feira Santa, temos uma longa caminhada de oração, jejum e penitência para que o Senhor nos liberte de todo pecado e nos torne instrumentos do seu amor para lutar por justiça, paz e saúde para todos.
A Igreja, à luz da Palavra de Deus, deseja iluminar a dura realidade da Saúde Pública e, ao mesmo tempo, lutar para que os pobres tenham um atendimento digno como seres humanos.
Nossa Quaresma começa hoje fazendo ecoar novamente em nossos ouvidos estas inquietantes palavras do profeta Joel: “Rasgai vossos corações e não vossas vestes!”. O jejum proposto pelo profeta não se reduz a deixar de consumir determinados alimentos, ao mesmo tempo em que se gasta até mais com outros produtos, às vezes muito mais caros, como se vê hoje em dia. O jejum é um apela para uma conversão profunda, um retorno do povo a Deus. O jejum nos estimula a viver uma Quaresma de conversão. É um apelo à solidariedade com os pobres e marginalizados. O próprio Cristo se refere a três práticas religiosas: o jejum, a esmola e a oração. São gestos que marcam a nossa experiência de Deus, desde que seja com força interior e ligue  nosso coração a Deus e ao irmão.
Quando jejuo é um assunto entre eu e Deus que lê meu coração. A esmola exige meu encontre com o irmão necessitado. Nossa conversão significa abrir os olhos da consciência às privação que passam muitos os irmãos, alguns doentes como nos propõe a Campanha da Fraternidade. O jejum quaresmal deve nos ajudar a “sentir na própria carne” um pouco do sofrimento  que passam esses irmãos e nos fazer mais solidários na construção de um mundo melhor, onde não haja injustiça, marginalização, abandono, miséria, nem fome.
Jejum sem solidariedade é um simples ritualismo sem sentido. O tempo de conversão é agora! É abraçar a ocasião que Deus está nos oferecendo, pois Ele mesmo vem em nosso auxílio para nos tornar aptos a fazer o bem e cumprir a sua vontade na realização de seu projeto.
1ª Leitura: Joel 2,12-18 Rasgai o vosso coração e não as vossas vestes
2ª Leitura: 2Corínstios 5,20_6,2
Reconciliai-vos com Deus. É agora o momento favorável
Evangelho: Mateus 6,1-6.16-18
E o teu Pai, que vê o que está escondido,  te dará a recompensa

Neste tempo quaresmal de preparação para a Páscoa, vamos nos unir a Cristo e permanecer na fidelidade à vontade do Pai. A oração com a força de Sua palavra nos fortalece para resistir as propostas opostas ao plano de Deus e sermos construtores de um mundo novo.




terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

7º Domingo do Tempo Comum -19/2/2012


O PERDÃO GRATUITO DE DEUS LIBERTA E CURA
A pecada corroe a fonte de vida em nós, tolhe nossa liberdade e nos afasta de Deus. O pecado é como a árvore sem água: seca e perde a seiva da vida. Marcos nos apresentou Cristo como Mestre e Curandeiro, hoje nos apresenta com o pode de perdoar pecados, tendo como paradigma de pecador, um paralítico. O homem se valoriza - auto-estima; se relaciona – fraternidade; e, como meta de vida, encontra-se com Deus. O paralítico estava na contramão dessa relação. Para ela nada era possível, tudo conspirava contra ele. O telhado e amigos é sua salvação o que eleva sua auto-estima. Jesus mostra que o problema está na relação com Deus e não na doença.
A liturgia nos revela o amor misericordioso do Pai, através da divindade de Jesus que perdoa pecados, cura enfermidades e nos ensina o caminho da solidariedade entre irmãos. Deus tem um projeto de salvação que o homem deve acolher com fé.
O povo desperta e exclama em admiração e louvor: “Nunca vimos coisa semelhante!” Assim deve o agir da Igreja para nos manter conectados com Deus numa convivência pacífica com os seres que nos rodeiam como sinal de amor ao Pai.
Primeira Leitura: Is 43,18-25 Apagarei as tuas transgressões em atenção a Mim!
Isaías, o profeta da consolação, anuncia a esperança de tempos novos de um Deus fiel que mantem a Aliança com seu povo, refletindo Seu amor que não diminui apesar da infidelidade e do pecado. A vitória do amor de Deus se manifesta no perdão: O Deus de amor é o Deus misericordioso. Deus cria um povo novo: “Cancelo tuas culpas, já não me lembrarei de teus pecados” (Mq 7,19).
 Deus se manifesta no pecado com amor, desde que nos aproximamos dEle de coração arrependido: é como uma nova criação. O erro deixa vestígios, o pecado pesa e os homens sabem cobrar. Deus,no entanto, perdoa e esquece.
No texto Jahwéh lembra o povo que o passado bom alimenta a esperança e prepara o futuro e o acusa pela infidelidade e indiferença, necessitando de conversão. Na voz do profeta, aproxima-se um novo êxodo, o dia da nova libertação e o regresso definitivo a terra prometida de felicidade permanente.
O contexto coloca a missão de Jesus que veio revelar o rosto misericordioso do Pai que cura e perdoa o Povo que necessita percorrer um caminho de conversão e de renovação, antes de poder acolher a salvação libertadora oferecida por Deus. A vida cristã é uma caminhada permanente rumo a “terra prometida”.
Salmo Responsorial: O salmo recorda a salvação de Deus, revelada em momentos difíceis como a doença. Deus cura os que agem em favor dos pobres e desamparados.
Segunda Leitura: 2Corintos 1,18-22 Jesus não foi “sim e não”, mas sempre foi sim.
Paulo afirma que seu ministério está centrado na fidelidade de Jesus Cristo, pois nEle se realizaram todas as promessas de Deus. Pelo batismo, no Espírito, os cristãos são chamados a uma dedicação total a Cristo e ao evangelho, dando seu “amém” consciente e coerente. Ele, ao acusar membros da comunidade de pregar por interesse próprios, causa desagrado e perseguição, tendo que deixar Corintos. Sua mensagem, como de reconciliação, objetiva desfazer “fuxicos” e mostrar seu verdadeiro apostolado, reiterando sua fidelidade ao Mestre que o marcou com o selo do Espírito Santo. 
Ele recusa o alcunho de ser um meio termo, sim ou não, circunstancial. É um fiel discípulo de Jesus certo de que Deus é fiel às promessas feitas ao povo com seu “sim” sem meio termo. Paulo se exclui da lógica de oportunista e oferece aos homens a verdade, o que lhe assegura a sinceridade e linearidade de vida, merecendo a confiança da comunidade. O apóstolo dos gentios nos lembra que ser cristão, como ungidos de Deus, é seguir a Cristo que se fez cumpridor da promessa e percorrer com Ele o caminha da vida e do amor incondicional.
Evangelho: Marcos 2,1-12 O Filho do homem tem na terra o poder de perdoar os pecados.
“Deus perdoa todas suas culpas e cura todas suas enfermidades”. O texto retoma a temática de um Deus que, por meio de Cristo, derrama seu amor, bondade e misericórdia sobre a humanidade sofredora e prisioneira do pecado. Cabe ao homem acolher o dom de Deus, ir ao encontro de Jesus e aderir a Sua proposta libertadora que veio apresentar.
Querendo anunciar o sentido da sua presença na história, como enviado de Deus, Jesus dá ao paralítico o perdão dos pecados e cura sua doença. Os escribas, desconhecendo Sua identidade, falam em blasfêmia porque só a Deus cabe perdoar pecados. Jesus, categórico, afirma que perdoa pecados como o faz Deus e sua afirmação não é falsa pretensão, pois o milagre do paralítico que se levanta e caminha é a confirmação. Perdão e cura: sinais do amor de Deus, como libertação total de seus filhos.
O poder de perdoar pecados Jesus delegou a sua Igreja que, em Cristo e por Cristo, recebeu o Espírito Santo para a remissão dos pecados (João 20,23). A Igreja celebra a Eucaristia e o perdão dos pecados, a partir do batismo, no sacramento da penitência. As palavras que ouvimos na confissão: “Teus pecados estão perdoados”, são pronunciadas pelo sacerdote na pessoa de Cristo. A consciência do perdão revela ao homem o rosto da misericórdia de Divina e convence o cristão que sua santidade é o reflexo desse amor misericordioso de Deus que o salva.
O relato acontece em Cafarnaum, (o centro de onde irradia a missão de Jesus na Galiléia) numa comunidade judaica onde Jesus continua a propor o Reino por meio de milagres, gestos e sinais da presença do amor de Deus, provocando admiração do povo e recusa dos escribas e fariseus que procuram pretexto para atacá-lo e o acusar. Na casa, pelo telhado, desce um paralítico, protótipo da invalidez, conduzido por amigos que representam a humanidade que não se conforma com o mal que aprisiona pessoas e as torna infelizes.
Marcos representa a ânsia (fé) com que o mundo espera a libertação que Cristo lhe veio oferecer, colocando o doente frente a frente com Jesus. Jesus abre seu coração, significando que Deus deseja mudanças na vida do povo sofredor. É a reconciliação com a humanidade pecadora.
 

 
O sinal maior da bondade de Deus é a entrega de seu Filho amado: “isto é meu corpo, isto é meu sangue que é dado por vós”.
Pela adesão a Jesus, fica apagado o passado pecador do homem e este recebe uma nova vida.
Bendigamos ao Deus de amor e perdão, porque em Cristo nos ensinou e reconciliou partir da recuperação e libertação plena do ser humano.
O gestos de solidariedade favorece o encontro com Cristo e a experiência de sua misericórdia.

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