quarta-feira, 21 de março de 2012

5º Domingo da Quaresma 25/3/2012

O GRÃO DE TRIGO QUE CAI EM TERRA E MORRE, DÁ MUITOS FRUTOS.
QUEREMOS VER JESUS, O SUMO SACERDOTE DA NOVA ALIANÇA.

N
os textos litúrgicos, Deus indica aos homens o caminho da salvação e vida definitiva através das Alianças (antiga e nova). Sua palavra é caminho seguro de salvação, dependendo de nossa escuta atenta a seus projetos, no seguimento de seus ensinamentos e na doação aos irmãos. A revelação de Cristo nos mostra sua glória, passando pela experiência do grão de trigo que, para dar vida e produzir frutos, cai na terra e morre. A campanha da fraternidade, pedindo que “A saúde se difunda sobre a terra”, nos orienta de como viver esta experiência de Jesus no dia-a-dia de nossas comunidades na busca de vida plena e digna para todos, especialmente os doentes e desamparados.
Primeira Leitura: Jer 31,31- 34 Concluirei uma nova aliança e não mais lembrarei o seu pecado.
J
eremias exerceu sua missão profética no reino de Judá, pregando a conversão e fidelidade à Aliança, desde 627 a.C. até após a destruição de Jerusalém (587 a.C) e deportação do povo para Babilônia. O texto, conhecido como ”Livro da consolação de Israel’, caracteriza-se pela esperança na reconstrução do povo e se reporta a Aliança, por vezes rompida pela infidelidade, mas renovada e restaurada pelo Senhor. A nova Aliança será gravada no coração dos homens e não mais em tábuas de pedra, fazendo-os pensar e agir de acordo com os desígnios de Deus. A pregação profética de Jeremias é a certeza de vida plena e a esperança de Deus oferecer nova Aliança com seu Povo e toda humanidade.
A Aliança de Deus será, contudo, diferente da Aliança do Sinai que o povo devia cumprir, sem tocar o seu coração, como causa da infidelidade. Sem aderir de coração inexiste fidelidade. Com a falência da antiga Aliança, Deus vem gravar suas leis e preceito no coração, no íntimo de cada um: Deus mostra Seu rosto através do Filho amado que veio gravar, na Cruz, a nova e eterna Aliança com os homens, a aliança do amor sem limites, a eterna preocupação de Deus com a realização plena de seus filhos. É a Lei do Amor que nasce do coração e faz o povo viver a proposta de Deus, dando testemunha ao mundo de Sua misericórdia e perdão. A harmonia, a paz e a verdadeira felicidade é assegurada por essa relação.
Salmo Responsorial: O salmista faz a experiência da misericórdia do Senhor que nos dá um coração novo, uma vida nova no amor.
Segunda Leitura: Hebreus 5,7-9 Aprendeu a obediência e se tornou causa de salvação eterna.
A
carta aos Hebreus é um discurso sobre o sacerdócio de Cristo. Os cristãos viviam desanimados e tendentes a perder a fé em Jesus, por rejeitar o sofrimento, pensando retornar ao culto judaico pela demora da salvação final. 
A catequese de Paulo é estimular a vivência do compromisso cristão e levá-los a crescer na fé e mostrar Jesus como o sumo Sacerdote que, ao cumpriu a missão do Pai, fez de sua vida um dom, morreu por nós e, concluindo nEle a nova Aliança, tornou-se princípio de salvação aos que o seguem, merecendo, por isso, da humanidade, adesão plena e fé inabalável. ►Com sua vida, morte e ressurreição, o Filho de Deus, manifestou sua fidelidade e solidariedade ao experimentar a dor humana. Ele nos entende e caminha a nosso lado.
Evangelho: João 12,20-33Se o grão de trigo cair na terra e morrer produzirá muito fruto”.
A

pós ter realizado muitos sinais de seu ministério, Jesus anuncia a chegada de sua glorificação, iniciada nas bodas de Canaã. O evangelista ressalta o sentido universal da hora de Jesus, a sua paixão, morte e ressurreição. A morte de Jesus é como o grão de trigo, cai na terra para produzir frutos e, ao se torna fecunda pela ressurreição, gera a comunhão entre os povos. A exaltação na cruz é o sinal da plenitude da missão salvífico de Cristo que estimula a fé dos seus seguidores e atrai a humanidade pela força de seu amor, fonte de vida e salvação que conduz ao caminho da fidelidade ao Pai.
O texto, ocorrido poucos dias antes de Sua última páscoa, refere-se à missão de Cristo.
Um grupo de estrangeiros (pagãos), convertido à religião judaica, ao ouvir falar de Jesus, deseja vê-lo. Na linguagem de João, ver Jesus significa conhecê-lo em profundidade e descobrir quem ele é. Jesus, sabendo da intenção do grupo, sentencia: “o grão de trigo para se transformar em espiga deve ser semeado na terra”. Igualmente o homem, para valorizar a sua vida, no desejo de um mundo novo, deve antes ter a coragem de morrer, dando a si mesmo por amor. Para Cristo, o homem atinge o ápice de sua vida, doando-se por amor a seus irmãos. A morte de Jesus é uma manifestação de seu amor. Seguir Jesus é trilhar seus passos, morrendo com Ele por amor.
Seguir Jesus é aprender com Ele o caminho do amor, do dom da vida a Deus e aos irmãos. Caminho da cruz, na lógica humana, é fracasso, morte, mas para Deus é doação que gera vida verdadeira e eterna. A multidão já havia aclamado Jesus como: “Aquele que vem em nome do Senhor, o rei de Israel”, agora deseja conhecê-lo. João nos diz que a salvação tem alcance universal e destina-se a todos os homens. ►Seguir os passos de Jesus não é seguir o Messias aclamado que nos “sugere” manter nossas honras e prestígios, mas o Cristo da Cruz. Ele tem consciência do que O espera e da solidão, pois hão de abandoná-lo como um fracassado, mas tem a certeza que essa cruz vai manifestar a Glória de Filho do Homem, como último ato de Sua total doação ao projeto de Deus e libertação que faz nascer uma nova humanidade.
Amar a si mesmo e se fechar no egoísmo estéril, preocupando-se em defender seus interesses, é aderir ao erro da vida verdadeira, a salvação. Conhecer Jesus é olhar para esse Homem que fez de sua vida a vontade do Pai e que, na cruz, ensina os homens o caminho do amor sem limites: a vida nasce do amor que é fecundo. O homem livre é aquele que se compromete com a justiça, pelos direitos, pela dignidade e liberdade do homem. O amor aos outros gera vida frutuosa plena, que nem a morte poderá calar: “Se alguém Me quer servir, siga-Me”, mesmo enfrentando as “forças” do mundo com a própria morte. Ele não admite meio termo. A “voz do céu”, glorificando Jesus, assegura que sua proposta de vida é verdadeira e autenticada por Deus.

NÃO ESTAMOS SOZINHOS, A PALAVRA DE DEUS NOS ASSEGURA A SOLIDARIEDADE DE CRISTO EM NOSSA EXISTÊNCIA.
                                
NA LÓGICA DE DEUS, O EGOÍSTA É UM PERDEDOR, DE VIDAS VAZIAS E SEM SENTIDO, FRUSTRAÇÃO, MEDO E DESILUSÃO. JESUS É O CAMINHO, NÓS O SEU ROSTO.
Pelo e-mail, wlimar@yahoo.com.br
faça uma avaliação, dando sua sugestão sobre o Blog.

quarta-feira, 14 de março de 2012

4º Domingo da Quaresma 18/3/2012

DEUE É FIEL À ALIANÇA.
JESUS É A MAIOR REVELAÇÃO DO AMOR DE DEUS AOS HOMENS.
A história dos homens, cercada de dores e sofrimentos, ganância, mentira e orgulho, tem como razão de ser e a infidelidade e o pecado que provocam sofrimento e morte dos oprimidos, pobres e desamparados. Os hospitais públicos são o retrato dessa realidade e miséria a que está sujeita a dignidade humana. “Fraternidade e saúde Pública” é o grito dos oprimidos. “Que a saúde se difunda sobre a terra!”- clama o Eclesiástico. ► Ouçamos a voz de Deus que é misericordioso na Sua fidelidade aos homens, unindo-nos em favor da vida e da liberdade a todos, sem discriminação, para que os pobres tenham um atendimento digno em relação à saúde.
Primeira Leitura: 2Crônicas 36,14-16.19-23
A liturgia é um convite à alegria da Páscoa, sem tristeza, pois o amor de Deus por nós é a maior doação. Os textos proclamam e garantem a iniciativa do Pai em oferecer a todos nós a salvação. Moisés apresenta a serpente no deserto numa alusão à morte e ressurreição de Jesus Cristo: os hebreus se penitenciam de suas infidelidades; Jesus, o novo Adão, como ressurreição e a vida, veio resgatar os homens de suas iniqüidades e restaurar o novo céu e a nova terra.
A indignação e a misericórdia do Senhor manifestam-se no exílio e na libertação do povo.
O livro narra a história de Israel desde a criação até o exílio. O texto mostra a queda de Jerusalém, o exílio e o retorno à terra prometida com a reconstrução de um templo em Jerusalém. Deus, apesar da infidelidade à aliança, restaura a vida e a liberdade de seu Povo, libertando-o do exílio da Babilônia. Na derrota e no exílio o povo entendeu que a desgraça era sinal do afastamento de Deus, por isso olhavam para a serpente levantada por Moisés como sinal de cura e libertação, então seu coração se voltou para Deus. O texto é uma alerta ao homem que prescinde de Deus e caminha no seu orgulho de auto-suficiência, mas Deus é Pai e está sempre a espera dos filhos desgarrados.
A destruição de Jerusalém e a deportação do Povo para a Babilônia são conseqüências dos pecados do povo: “Os chefes de Judá, os sacerdotes e o Povo multiplicaram as suas infidelidades”, ignoravam e desdenhavam os “recados” dos profetas, provocando a ira do Senhor que abateu sobre seu Povo. A terra de Deus, maltratada pela injustiça e pecado, deve descansar durante setenta anos (o exílio), até que seja renovada e volte a ser de novo a casa do Povo de Deus, foi a sentença. ►Quando o Povo é infiel a sua fé, conhece a morte e a desgraça. No final Deus oferece-lhe vida e a felicidade.  
A catequese nos apresenta a teoria da retribuição com suas limitações, como demonstra o Evangelho que apresenta um Deus que, abominando o pecado, ama o homem e está sempre disposto a oferecer-lhe a vida e a salvação. O Cronista, no entanto, lembra que o homem, quando prescinde de Deus e segue o caminho do egoísmo e amor próprio, vai construir um mundo de dor e morte. A experiência nos prova que o homem sem Deus é um homem sem o verdadeiro horizonte da felicidade e do amor que une família, comunidades e irmãos. É como dizer que um relógio pode existir sem o relojoeiro..
Salmo Responsorial: O salmo é um lamento que recorda a queda de Jerusalém e o exílio na Babilônia.
 Segunda Leitura: Efésios 2,4-10 Mortos por causa dos nossos pecados, salvos pela graça.
Ele enviou seu Filho único ao mundo, por amor aos homens: “Deus é rico em misericórdia”. Cristo, a luz do mundo, transforma as trevas do ser humano e o ilumina segundo a vontade do Pai, levando-o à autêntica conversão e reconhecimento de Seu amor. No texto São Paulo mostra que o homem só não consegue se libertar do mal que o cerca e que o ser humano não fabrica sua própria salvação. ”É pela graça que sois salvos!” Que ninguém se vanglorie pelo bem que faz e nem despreze os que ainda não abriram seu coração. A salvação é obra gratuita de Deus, rico em misericórdia e bondade. Egoísmo, auto-suficiência são sinais de trevas e ausência da luz Divina.
Éfeso, a grande paixão de Paulo, onde criou comunidades de fé e engajada na doutrina do Mestre, reuniu pessoas autênticas no seguimento de sua missão. Ele escreve da prisão (anos 60) um texto de grande riqueza temática onde apresenta uma síntese da Teologia Paulina: uma reflexão sobre o papel de Cristo na salvação do homem. Deus, em resposta à ação pecadora do homem, mergulhado no egoísmo e na maldade, é misericordioso com amor e graça, de forma incondicional: dá sem nada esperar. Unido a Cristo, o cristão já ressuscitou e foi glorificado. Embora vivendo na terra, sujeito à finitude e limitações da vida, o homem é um cidadão do céu. A vida do cristão, marcada por sofrimento, mas vivendo a fé, a esperança e a caridade, está com “um pé na eternidade”.
Evangelho: João 3,14-21 Deus enviou o seu Filho, para que o mundo seja salvo por Ele.
Após o diálogo com Nicodemos, o Cristo crucificado e exaltado é apresentado como o fundamento da fé e da vida cristã. Levantado, ele retorna à glória do Pai, depois de realizar com fidelidade Sua vontade. Participar da obra redentora de Cristo é viver a fé e dar a vida na construção do Reino de Deus. O texto é uma sentença: “Deus amou tanto o mundo que lhe deu seu próprio Filho e Este não veio para julgar o mundo, mas para salvá-lo. Quem, porém, não crê já está condenado”.
Ele é a luz e quem optar pelo egoísmo e os prazeres do mundo adere às trevas, à morte, destruindo a vida. Fé é passar das trevas para a Luz onde cada momento de vida é tempo de salvação ou de condenação. O homem se salva ou se condena, abraçando ou recusando a cruz: uma escolha diante da luz de Cristo e percorrer com Ele o caminha da Salvação. Jesus veio para salvar os homens e reavivar a esperança de um mundo novo. Seu convite nos desperta para a comunhão com o Pai e o compromisso com seu projeto de vida plena. É ser chamado a contemplar o Cristo elevado na cruz e receber dEle a salvação. É experimentar a misericórdia que, do alto da cruz, nos encoraja a vencer as trevas, escolhendo e caminho da verdade, do amor, da doação e da bondade. Que a graça do Pai, no Espírito Santo, nas celebrações eucarísticas, renove-nos e nos torne capazes do amor divino, feito de entrega constante em favor da vida, do injustiçado pela doença e sem assistência.
Na conversa com Jesus, Nicodemos reconhece Sua autoridade por Suas obras. Jesus, porém acrescenta que o essencial é reconhecer nEle o enviado do Pai mas que, para isso, deve nascer de Deus, pela água e pelo Espírito e, finalmente, que o projeto de salvação do mundo é uma iniciativa do Pai, através do Filho, que se concretizará na Cruz. Jesus deseja confirmar a Nicodemos que o Messias deve ser levantado ao alto, como Moisés levantou a serpente no deserto, suscitando o povo hebreu a reconhecer sua infidelidade. Jesus manifesta seu amor e indica aos homens o caminho que eles devem percorrer para alcançar a salvação, a vida plena.
►Crer no Filho do homem, levantado na cruz, é abraçar a sua proposta de vida como lição de amor, amor sem medidas, fazendo como Ele, o dom da vida aos irmãos e alcançar a salvação, a vida eterna.  Acusamos Deus pelas guerras, injustiças, arbitrariedades que trazem sofrimento, desespero e morte. Sofrimento e morte não vêm de Deus, mas o resultado de erros humanos: Deus ama os homens e lhes oferece a vida.
A SALVAÇÃO OU A CONDENAÇÃO NÃO É PRÊMIO OU CASTIGO QUE DEUS DÁ AO HOMEM PELO SEU BOM OU MAU COMPORTAMENTO, MAS O RESULTADO DA LIVRE ESCOLHA DE CADA UM FACE À PROPOSTA DE DEUS.

NÃO SOMOS POBRES CRIATURAS DERROTADAS, FRACASSADAS, SEM HORIZONTSE, MAS FILHOS AMADOS A QUEM DEUS OFERECE A VIDA PLENA, A SALVAÇÃO: DEUS NOS AMA COM UM AMOR TOTAL, INCONDICIONAL, DESMEDIDO.
Pelo e-mail, wlimar@yahoo.com.br
faça uma avaliação, dando sua sugestão sobre o Blog.

quarta-feira, 7 de março de 2012

3º Domingo da Quaresma 11/3/2012

O MANDAMENTO DO SENHOR É FONTE DE VIDA E SALVAÇÃO..
CONVERTEI-VOS!
Este período quaresmal deseja sensibiliza-nos a sentir a dura realidade das pessoas sem acesso à assistência da Saúde Pública, por suas necessidades e dignidade. Por isso, somos convidados a lutar contra essa estrutura de morte com ações que visem um olhar de igualdade fraterna pela nossa conversão e dos responsáveis. Com o coração sincero sejamos solidários com nossos irmãos que sofrem na jornada, longe do mercado de trabalho e até da Igreja e seus irmãos de fé. A liturgia nos situa no templo de Deus como lugar de encontro com Deus e com os irmãos. As igrejas, na história, foram o orgulho do povo cristão. Nelas encontramos as mais belas obras arquitetônicas, de música e de arte.
Jesus se apresenta como o purificador do templo e nos deixa um recado de que o recinto é sagrado, espiritual e místico, ao expulsar seus profanadores. Ele nos deixa, também, uma dimensão nova do templo espiritual que é o corpo humano: somos a imagem e semelhança de Deus. Consagrados pelo Batismo, que nos fez santos, tornamo-nos templos do Espírito Santo, como morada Divina. Zelar por este templo é mantê-lo saudável material e espiritualmente para torná-lo habitáculo do Altíssimo. ►A beleza deste templo nos leva à santidade por Cristo, em Cristo e com Cristo, lembrando que “quanto mais humanos formos, mais divinos seremos”.
Primeira Leitura: Êxodo 20,1-17 - A Lei foi dada por Moisés
Deus, através de Moisés, oferece os Dez Mandamentos como condição da Aliança que fez com seu Povo, estabelecendo que a fidelidade seja a segurança de uma relação amorosa com Ele como libertador da escravidão do Egito. As Leis de Moisés são normas fáceis e singelas que regulam nossa caminhada pela vida. São indicações que direcionam as dimensões fundamentais da nossa existência: nossa relação com Deus e com nossos irmãos. Seguir as normas é caminhar para uma vida segura, de liberdade e de paz para a felicidade/santidade. ►O amor é a alma dos Mandamentos.
O texto se refere à Aliança entre Jahwéh e Israel no Sinai, local onde Deus se revelou a Moisés. Os Mandamentos são o coração da Aliança e definem o caminho de Israel e suas obrigações como Povo de Deus. O decálogo cria as relações do povo Judeu com Deus e seu próximo. Jahwéh é o único Deus de seu Povo, o centro de sua existência: “não farás imagem esculpida e não terás outro deus, senão a mim”.
Os 6 últimos mandamentos são as relações comunitárias: o respeito pelo próximo, sua vida, direitos e bens. Diretrizes ligadas à liberdade, justiça, respeito pela pessoa e sua dignidade. As Leis se reportam às relações de dependência e respeito na família e na comunidade: “honra teus pais, não matarás, não cometerás adultérios...”.
Na relação do homem com Deus, o decálogo ressalta a centralidade de Deus no coração e na vida do seu Povo. Muitos deuses nos seduzem (dinheiro, poder, fama, egoísmo) e nos fazem a prescindir de Deus, tirando-nos do caminho da liberdade e da fidelidade. Quaresma é tempo de conversão e de amor ao irmão, redescobrindo o verdadeiro papel de Deus em nossa existência. O que atenta contra a vida, a dignidade e direitos do outro, geram morte e sofrimento, subvertendo o amor de Deus  ►Vamos nos questionar e sentir que “deuses” nos seduzem, condicionando nossa vida, nossas tomadas de posição e opções, e qual o espaço de Deus em nossa vida e o amor ao irmão.
Salmo Responsorial: Os ensinamentos do Senhor são mais valiosos que o ouro e mais doces que o mel e contêm a sabedoria que proporciona alegria.
Segunda Leitura: 1Coríntios 1,22-25
Nós pregamos Cristo crucificado, escândalo para os homens, mas sabedoria de Deus para os chamados.
A paixão e a cruz de Cristo confundem os sábios e manifestam a força de salvação de Deus para os homens de fé. Nessa dimensão está a pregação de Paulo: o Cristo crucificado e sugere uma conversão na lógica de Deus. A Igreja é chamada a anunciar, como dom da vida, a palavra cruz, sinal supremo do amor de Deus. O chamado de Deus mostra o crucificado como o salvador, fazendo o cristão crer, o que vai além de nossa sabedoria e que o mundo chama de loucura porque a lógica do Evangelho não pode ser colocada na mesma lógica do mundo.  Como templos do Senhor, nosso sinal deve ser o da Cruz. Na mesma lógica, não podemos pretender que Deus se adapte a nossos interesses pessoais. É preciso descobrir que a salvação está na cruz, no amor total e no dom da vida pelo serviço humilde ao irmão.  
Evangelho: João 2,13-25 Destruí este templo e em três dias o levantarei!
Jesus se apresenta como o novo Templo e por um culto autêntico: “Destruí este templo”, um mistério só entendido na ressurreição: o templo é Seu próprio corpo, por isso nossa celebração (cantos e orações) deve ser significativa para Deus. O que agrada a Deus é o amor solidário, a partilha do pão, a acolhida fraterna que se elevam aos céus e nos transformam em templos de Deus. A comunidade, templo vivo de Deus, reúne-se com Ele, por Ele e nEle, tornando-se templos de pedras vivas e morada do Espírito.
A cena acontece no majestoso Templo de Jerusalém (de 19 a.C a 27 d.C. por Herodes) nos dias que antecedem à Páscoa quando grande multidão de dirigia ao Templo, propício aos comerciantes. O sistema foi muito criticado por Isaias pela forma dos sacrifícios oferecidos, considerando estéreis e vazios, pois o verdadeiro implicava purificação e moralização e eliminação do comércio no templo do Senhor. Neste contexto Jesus se revela como o Messias, indo além dos profetas, alterando substancialmente o culto. Os líderes judaicos tinham suprimido a presença de Deus, criando exploração, miséria e injustiça.
Jesus, o Filho de Deus, com autoridade, acaba com a “festa”: “Não façais da casa de meu Pai casa de comércio”! Deixando-os perplexos e indignados: quem era Ele para assumir tal atitude abolindo culto a Jahweh? A resposta de Jesus foi ainda mais surpreendente: “Destruí este Templo e Eu o reconstruirei em três dias”! João é claro: Ele se referia ao Templo de Seu corpo, consubstanciado na Ressurreição, o novo Templo. No judaísmo, templo era a residência de Deus de onde se revelava. Jesus, agora, é o lugar onde Deus reside e se comunica com os homens, estabelecendo relações Deus-homens. É através dEle que o Pai nos oferece amor e vida plena. O verdadeiro culto que Deus espera não é de ritos pomposos, mas vazios e estéreis. O culto que agrada a Deus é uma vida de escuta de suas mensagens, traduzidas em gestos concretos de doação e de serviço simples e humilde aos irmãos. Ao sermos capazes de sair do nosso comodismo para ir ao encontro do pobre, do marginalizado, do doente, estamos dando a verdadeira resposta litúrgica de amor à generosidade que Deus nos dispensa. Ao gesto profético de Jesus, os líderes judaicos respondem com arrogância, por se julgarem os donos da verdade, como intérpretes da vontade divina. O orgulho os deixa cegos a ponte de não perceberem o projeto de Deus. Por vezes, não agimos assim?
O texto nos ensina como encontrar e chegar até Deus: é olhar para Jesus e observar suas palavras e Seus gestos. O cristão é aquele que, aderindo a Cristo, aceita com responsabilidade integrar Sua comunidade, como membro de seu Corpo, como verdadeiras pedras vivas desse novo Templo onde Deus se manifesta ao mundo para oferecer vida e salvação. Nosso testemunho pessoal deve ser sinal para os homens de que Deus caminha ao nosso lado. ► Que os homens do nosso tempo sintam no rosto dos cristãos o rosto bondoso e terno de Deus, vendo os gestos de fraternidade, de amor e de perdão. O fiel cristão é sinal da vida nova de Deus voltado para a justiça e a paz para o mundo.
O verdadeiro culto que Deus espera não é de ritos pomposos, mas vazios e estéreis. O culto que agrada a Deus é uma vida de escuta de suas mensagens, traduzidas em gestos concretos de doação e de serviço simples e humilde aos irmãos. Ao sermos capazes de sair do nosso comodismo para ir ao encontro do pobre, do marginalizado, do doente, estamos dando a verdadeira resposta litúrgica de amor à generosidade que Deus nos dispensa. Ao gesto profético de Jesus, os líderes judaicos respondem com arrogância, por se julgarem os donos da verdade, como intérpretes da vontade divina. O orgulho os deixa cegos a ponte de não perceberem o projeto de Deus. Por vezes, não agimos assim?

A Igreja é esse “templo de Deus” onde qualquer homem ou mulher, independentemente de sua condição social, pode encontrar essa proposta de libertação e de salvação que Deus oferece a todos?

A vida de nossas comunidades dá testemunho dessa vida íntima com Deus como um sinal de Sua bondade ao irmão que caminham ao nosso lado?
Pelo e-mail, wlimar@yahoo.com.br
faça uma avaliação, dando sua sugestão sobre o Blog.