quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

4º Domingo do Tempo Comum-22/01/2012

JESUS PROCLAMA COM AUTORIDADE UM ENSINAMENTO NOVO
Aquele que nEle crê e se converte, deve anunciá-LO com todo o ardor: profeta é um porta-voz.
Com autoridade de seus ensinamentos, Jesus veio libertar a humanidade e decreta o final do reinado do mal. A liturgia nos apresenta esse Cristo que revela, por meio de palavra e gestos, Sua autoridade de verdadeiro Mestre, realçando seu caráter profético de vida e ação, numa alusão aos patriarcas e profetas. Profeta é uma pessoa de Deus que fala e faz o que Deus deseja revelar com autoridade divina e vencer as forças do mal. O povo vê nele algo superior aos mestres da lei e autoridades religiosas e, embora incrédulo, crê em Sua autoridade e espalha a boa notícia: Ele é o Filho de Deus feito homem, O libertador, O Mestre que tem uma doutrina segura e dá testemunho do que vive. ELE BATE A NOSSA PORTA.
Primeira Leitura: Deuteronômio 18,15-20.
Farei surgir um profeta e porei as minhas palavras na sua boca.
O texto se refere ao papel e significado do profetismo. Deus nos apresenta a figura do profeta, o anunciador de suas palavras e de realizar sinais, como fez na aliança do Sinai. Moisés, o mediador entre Deus, que faz conhecer sua vontade, e Seu Povo, deixa ao Povo testamento espiritual que lembra os hebreus dos compromissos com Jahwéh. A missão do profeta, como alguém escolhido por Deus e que viva no meio dos homens, é ser Sua Palavra que perenize fidelidade à aliança.  O fundamento teológico é da existência de um só Deus, que deve ser adorado por todo o Povo num único local de culto, Jerusalém.   Jahwéh elegeu Israel como o Povo para essa aliança.
O fenômeno profético, comum entre os povos e normalmente ligado a adivinhações e coisas do gênero, fez com que a catequese do autor discernisse com critérios o falso do verdadeiro, colocando Moisés como o protótipo do verdadeiro. A iniciativa de escolhê-lo foi de Deus. Na vocação de Moisés está Deus que o enviou em missão a seus irmãos. O profeta transmite Sua mensagem que deve ser ouvida e seguida. O próprio Deus pedirá contas de quem fechar seu coração às mensagens recebidas. ►A vocação profética é um dom de Deus que o torna instrumento a agir com fidelidade e humildade na comunidade eclesial. A missão profética do batizado é o serviço de Deus e ser protagonista de Seus ensinamentos, cumprindo uma missão, sem esquemas pessoais, interesseiros e egoístas.
Salmo Responsorial:
O salmo exorta a não fechar o coração para ouvir a voz do Senhor, sendo obediente a sua palavra.
Segunda Leitura: 1Corintos 7,32-35.
A virgem preocupa-se com os interesses do Senhor, para ser santa.
O texto é um ensinamento de como viver a alegre disponibilidade a serviço do Reino junto aos irmãos. É um convite a repensar prioridades sem deixar que realidades transitórias se tornem o imperativo da vida que transtorne nossa relação com Deus e o irmão. A comunidade de Conrintos, pela diversidade filosófica contraditória existente, tinha uma perspectiva diversa do sentido da vida, sobre a forma de realização completa e ser feliz, conforme o evangelho. Tratava-se da questão da ética sexual: casamento x celibato.
Paulo prega o equilíbrio, face aos exageros. Condena a desordem sexual, defende o matrimônio e elogia o celibato, a virgindade. Afirma, para este fim, que o Senhor nada preceitua, mas recomenda ao casado, fidelidade e, ao celibatário, que se mantenha. O cristão, ao fazer suas opções, deve lembrar que o tempo é breve. A vida casta consagrada, sinal de desprendimento, está mais disponível às coisas de Deus e dos irmãos. O casado vive a família e seu sustento, o mundo. Ambos os estados de vida fazem parte da vida humana. O que importa é viver a fidelidade na vida real, voltada para a vida em e para Deus. O essencial para o cristão é o bem maior, o amor a Cristo e ao irmão, nessa vida peregrina rumo à casa Paterna.
Evangelho: Marcos 1,21-28. Ensinava-os com autoridade de Mestre.
Preso João Batista, Jesus volta para Cafarnaum, na Galiléia, de onde irradia seu ministério por meio de ensinamentos e ação salvadora, como o Messias, o consagrado de Deus. O texto mostra como Jesus, o Filho de Deus, cumprindo o projeto misericordioso do Pai, por suas palavras e ações solidárias, renova e transforma em homens livres aqueles que vivem prisioneiros do egoísmo, do pecado e da morte.   Diante dessa força divina o espírito impuro, símbolo do poder opressor, retrocede e se afasta: “Que queres de nós, Jesus Nazareno? Tu és o Santo de Deus”.  “Cala-te e sai dele!” Intima Jesus. ►Como seguidores e profetas do Senhor, escutar a Boa Nova que traz vida e salvação para os oprimidos, doentes e marginalizados, devemos ser sinais do céu para nossos irmãos na comunidade, na Palavra e na eucaristia.

Marcos deseja a descoberta de Jesus como o Messias que proclama o Reino de Deus. Com suas palavras catequéticas nos convida a ouvir as revelações de Jesus e seguir Seu anúncio, fazendo de nós Seus discípulos que abraçam Sua proposta salvadora a dizer como Pedro: “Tu és o Messias”. A cena acontece em Cafarnaum, onde Jesus inicia Seu ministério, como o verdadeiro Messias libertador, cercado pelos primeiros discípulos.
Imaginemos Jesus, um simples judeu, entrando na sinagoga onde acontece uma liturgia sabática com ações próprias como leituras, cânticos e bênçãos. Ele, ao comentar alguma leitura, faz suas alusões, fugindo do comum dos escribas, causa “frenesi” aos participantes, maravilhados com suas palavras ditas com autoridade e firmeza.
Um homem com um espírito impuro aparece em cena. Para o Judeu uma pessoa com doenças tinha origem desses espíritos e, por isso, considerada impura e afastada da comunidade. Só Deus podia curá-la. Jesus com proposta libertadora veio curar os doentes e pecadores. A ação da cura do homem possuído de espíritos maus se constitui na prova da proposta libertadora, vinda de Deus. Este homem é o protótipo das pessoas excluídas e violentadas pelos poderosos do mundo egoístico e explorador cuja cultura é a auto-satisfação.  Deus, porém, não desiste da humanidade, propondo aos homens um projeto de liberdade e de vida plena, capaz de renovar o mundo.

A MISSÃO DO DISCÍPULO É CONTINUAR A OBRA DE JESUS E ASSUMIR A LUTA PELA IGUALDADE.

Seguir Jesus é arregaçar as mangas e lutar contra a lógica do mundo que rouba vida e liberdade.

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quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

3º Domingo doTempo Comum 22/01/2012

A PALAVRA DE DEUS NOS CHAMA À CONVERSÃO
Caminhamos o ano litúrgico com Marcos que nos transmite a boa nova da felicidade com a máxima do cristão: QUEM CRER SERÁ SALVO.
Deus nos chama e nos acolhe, lembrando o chamado de Jesus a seus discípulos para a missão a serviço do Reino e a nós, pelo o batismo, nos fez seus seguidores junto às comunidades para que Ele nos chame e nos envie. A vida pública de Jesus inicia com a proclamação da Boa-Nova e tempo de conversão: o Reino de Deus está próximo e Jesus, ao sentir a conversão do pecador, se compadece. Convertei-vos e crede no Evangelho! A liturgia nos fala de um Deus amoroso que nos chama à plenitude, lembrando que a vida é breve para buscarmos o permanente, o eterno em contínua conversão à serviço de Deus.
Primeira Leitura: Jonas 3,1-5.10
Os habitantes de Nínive converteram-se do seu mau caminho.
O texto apresenta o amor de Deus pelos homens e a todos chama à salvação. Nínive, voltada a seus interesses, afastou-se de Deus para viver suas idolatrias, além de oprimir o povo de Deus. O profeta Jonas, escolhido por Deus para converter os ninivitas, prega a conversão para levá-los ao bom caminho, embora contrariado com a ordem Divina. O povo ouve os apelos de Deus e constitui um modelo de resposta ao chamado de Deus. Trata-se de uma história edificante, embora fictícia, escrita com a finalidade de ensinar e educar o Povo de Judá, o eleito de Deus.
A missão do profeta era converter e salvar Nínive. Jonas anuncia a destruição da cidade. O povo, contrariando as expectativas, ouve seus apelas, converte-se e faz penitência, “amolecendo” o coração de Deus que desiste do castigo e mostra seu grande e universal amor. Ele detesta o pecado, mas ama o pecador. É um desafio ao ninivita que compra a “parada”, ouve seus apelas, converte-se e faz penitência, entregando-se nas mãos de Deus. O desafio é um recado aos habitantes de Judá, e a todo o povo cristão, a assumir a mesma lógica de Deus de ver nos homens afastados de Deus, não como merecedores de castigo, mas como irmãos que é preciso amar.
 Salmo Responsorial:
 O salmista deseja trilhar o caminho proposto por Deus, recordando sua eterna bondade e compaixão.
Segunda Leitura: 1Coríntios 7,29-31
O cenário deste mundo é passageiro.
O texto nos exorta a viver em Cristo ressuscitado, participar dos bens eternos e da vida fazer  anúncio do evangelho. É um convite ao cristão a se conscientizar da finidade dessa vida e da realidade passageira desse mundo. A comunidade de Corintos, de origem grega, é jovem e de cultura própria com valores contrários à pureza das mensagens evangélicas, por isso de difícil entendimento desses valores. A cultura helênica se choca com a fé cristã em questões da ética sexual, resultando a existência de dois extremos típicos de cidade portuária, um voltado a vícios e prazeres da vida e outro pelo desprezo à sexualidade, ao casamento. 
Paulo deseja e prega o equilíbrio. Inicia condenando a desordem sexual, defende os valores do casamento e elogia o celibato ao afirmar que não sugere preceito, mas recomenda que quem se casou que se mantenha fiel e, ao não comprometido, que continue assim. Para ele casamento e celibato, cada um com seus predicados, são realidades terrenas, mas não absolutas. O que importa é viver a fidelidade, porque o tempo de vida é breve, sendo inútil ao cristão viver realidades terrenas quando não vive para esta vida. O essencial para o cristão é o bem maior, o amor a Cristo, vivendo essa peregrinação ao encontro da vida plena com Deus.
Evangelho: Marcos 1,14-20 Arrepender-se é crer no Evangelho.
O texto visa levar a descoberta de Jesus como o Messias que proclama o Reino de Deus. Marcos, resumindo a pregação inicial de Jesus, retrata o convite que Ele faz aos homens a segui-lo e integrar sua comunidade, condicionando, contudo, que a entrada no Reino exige conversão e adesão a seus ensinamentos.  O
 percurso de Jesus pela Galiléia, considerada pelas autoridades religiosas como “terra de onde nada podia vir de bom”, termina com a declaração messiânica de Pedro: “Tu és o Messias”, como exemplo a ser seguido por todo o cristão. Cumpriu-se o tempo e está próximo o Reino de Deus. Arrependei-vos e acreditai no Evangelho”, é o resumo do projeto de salvação de Deus para o mundo e a mensagem definitiva de Jesus.
O termo “Reino de Deus” resume a esperança de Israel de um mundo novo, de paz e de abundância, preparado por Deus para o seu Povo. Esta esperança transparece em “o tempo completou-se e o Reino de Deus se aproxima”, quando Jesus os exorta à conversão, acolhendo a Boa Notícia. Converter-se é aderir ao projeto de Jesus de amor sem limites e de doação incondicional. É sair do egoísmo e da riqueza (abundância) para a partilha e para uma vida nova.
Jesus, ao apresentar sua proposta, começa a formar sua equipe ministerial para dar sequência a sua missão. Deixando tudo, o seguiram. Os primeiros a responder os desafios do Reino e acreditar no projeto de salvação, são os convidados por Jesus. Na catequese de Marcos o chamado, que é categórico e radical, é de iniciativa de Jesus para aprender com Ele e aderir a seus ensinamentos e, finalmente, com uma resposta pontual, seguir suas pegadas, na divulgação do evangelho, a Boa Nova. É o convite que Jesus faz a todos nós para fazer parte da comunidade do Reino, apresentando um modelo e a forma como devemos escutar e acolher o esse chamado.
Não devemos esquecer a realidade que nos rodeia e o projeto de Deus está num mundo das diferenças de angústia, desilusões, desespero e sofrimentos na vida dos homens, exigindo harmonia, compreensão, justiça, amor e paz, para justificar o mundo novo apresentado por Jesus. Nessa vida efêmera somos convidados a construir com Jesus um mundo onde Deus se faça presente, estendendo sua mão misericordiosa de Pai bondoso e compassivo. Uma coisa é imprescindível: a conversão e missão evangelizadora.

Discípulo é aquele que escuta a voz de Jesus, acolhe no coração e O segue no caminho do amor e do dom da vida.

 Todo batizado é chamado a ser discípulo de Cristo, converter-se e acreditar no Evangelho.

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quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

2º Domingo Tempo Comum-15/01/2012

O CONVITE DE JESUS PERMANECE: VINDE E VEDE
A passagem do tempo de Natal para o tempo comum (33 domingos) traz como tema “O ENCONTRO COM JESUS”. Deus nos chama pelo nome e nos convida a entrar no caminho do seu Filho amado.
Fala Senhor, que te escuto.  Deus toma a iniciativa e nos convoca a participar de seu projeto de salvação, esperando resposta sincera e fiel no seguimento de Seu Filho pela fé, escuta da palavra e disponibilidade para servir e testemunhar, repetindo a história como a de Samuel, de André, de Pedro... Ninguém veio ao mundo por acaso, o que nos leva a perguntar como cristãos: “Por que estou aqui e descobrir o sentido de minha  vida”. A vocação à vida é um chamado pessoal de Deus: “os fios de cabelo de nossa cabeça são contados e nenhum cai sem que o Senhor o saiba”, diz Mateus. Na verdade, fomos resgatados por alto preço, por isso a liturgia nos faz refletir sobre a disponibilidade para acolher os desafios de Deus.
O batismo nos torna membros do Corpo de Cristo e escolhidos anunciadores do Reino como testemunhos do Evangelho para que outros conheçam Jesus Cristo e promovam a vida nova da salvação a todos. O primeiro anúncio, o de João Batista, atraiu os primeiros discípulos que acreditaram no Cordeiro de Deus. Quem o descobriu passa a irradiá-LO. Quem dEle se aproxima o faz com motivação, sabendo o que deseja e o que procura. Não é uma aventura que se lança pelo inesperado ou a sorte de encontrar o tesouro da felicidade terrena. É o estar com Ele e, como o discípulo, não importando onde mora e quem O ama torna-O conhecido. Ele basta.
Primeira Leitura: 1Samuel 3,3b-10.19  - Fala, Senhor, que teu servo escuta.
O texto apresenta a vocação profética de Samuel, da tribo de Efraim, que desde menino é consagrado a Deus por sua mãe. Vive no templo do Senhor onde estava depositada a Arca da Aliança, servindo Eli. Samuel exerceu um papel ministerial relevante, como líder, durante a transição da época dos juízes para a dos reis, dando um resumo do caminho percorrido pelo Povo de Deus. A narração da vocação de Samuel mostra que o chamado é de iniciativa de Deus que espera de nós disponibilidade para escutar sua voz e seus desafios. A vocação é sempre uma iniciativa, misteriosa e gratuita de Deus que segue critérios que nos surpreendem, mas Ele dá sentido a tudo e escolhe, chama, interpela e desafia o homem.
A surpresa de Samuel, que desconhece a voz de quem o chama, comprova os desígnios de Deus que o chama em momento de tranqüilidade: Samuel dormia. É no silêncio que a voz de Deus torna mais perceptível ao vocacionado e quando o homem se abstrai de seus problemas, disponibilizando-se ao chamado. Diante dos apelos apresentados pelo mundo e que nos seduzem, sublinhe-se a dificuldade em identificar a voz de Deus que é paciente e persuasivo, até ouvir: “Fala Senhor; o teu servo escuta”.Eli foi instrumento de Deus. ►O pormenor sugere o quanto podemos ser úteis aos irmãos, abrindo-lhes o caminho para a percepção da vontade e chamado de Deus. O termo bíblico escutar significa acolher de coração o que ouviu como compromisso de vida. Samuel diz que aceita embarcar no desafio profético e ser um sinal vivo de Deus. O profeta se faz profeta porque ouve e escuta a voz de Deus.
Salmo Responsorial: O salmista agradece a Deus pelos benefícios recebidos e assume o compromisso de anunciar as maravilhas da salvação.
Segunda Leitura: 1Corintios 6,13c-15a.17-20 Vossos corpos são membros de Cristo.
Somos membros de Cristo que nos resgatou por alto preço por sua entrega na cruz, tornando-nos templos do Espírito Santo para glorificar a Deus. O texto mostra o desafio de Paulo em evangelizar a comunidade de Corintos, ensinando que a imoralidade contraria a vida do batizado que forma com Cristo um só corpo, por isso saber usar a liberdade e não fazer do corpo o que contraria essa união. A atitude do cristão deve ser compatível com as de Cristo a fim de testemunhá-Lo ao mundo.  Graças a sua dedicação apostólica criou uma comunidade forte e unida pela fé em Cristo.
Corintos era uma cidade portuária com população heterogênea em termos de raça e religião, portanto suscetível aos vícios dos prazeres e de vida fácil, onde a riqueza fácil de uns contrastava com a miséria de outros. Os cristãos viviam nesse ambiente que contrariava a pureza das mensagens evangélicas. Para Paulo, no corpo do cristão deve manifesta-se a realidade do corpo de Cristo.
O corpo não é desprezível, miserável, condenado, mas é criado com suma dignidade para manifestar ao mundo a realidade da vida Divina, porque no corpo o cristão vive a comunhão com Deus. Ora se o cristão é membro de Cristo, vivendo em comunhão com o Pai, atitudes desregrados, voltadas a interesses egoísticos e escravos do vício, tornam-se indignos e infiéis templos do Espírito.
O texto é um convite: “glorificai a Deus no vosso corpo”. È comum as comunidades através do clero, menos informado ou viciado pelo formalismo, preocupar-se com atitudes externas, esquecendo o essencial nas celebrações e posturas litúrgicas.
A celebração, em gestos concretos, deve levar o participante, como ser vivo, a sentir seu corpo vibrar e viver nele a morada e templo de Deus. É preciso, em todas as circunstâncias, que a vida do cristão seja uma entrega a serviço, doação, respeito, amor verdadeiro. A celebração, culto sagrado, deve agradar a Deus. Deus é simples porque seu amor, que é sem limites, também é simples. Nós complicamos, tornando Deus distante, quando Ele vive em nós.
Evangelho: João 1,35-42 Foram ver onde Jesus morava e permaneceram com ele.
O texto descreve o encontro dos primeiros discípulos com Jesus que é apresentado por João Batista como o Cordeiro de Deus. Na visão de João, discípulo é quem reconhece no Cristo que passa o Messias libertador e se disponibiliza a seguir-LO no caminho do amor e da entrega e, aceitando o convite, entra em sua casa e vive em comunhão com Ele. Discípulo é aquele capaz de testemunhar Jesus e anunciá-lo aos irmãos. Vinde e vede é o convite que Jesus faz ao discípulo que o procurava. Assim, os discípulos que buscam o Deus da salvação encontram em Jesus, o Servo sofredor da missão salvadora, que entrega sua vida como um cordeiro. Eles viram o Mestre e permaneceram com Ele aquele dia.
Com a apresentação dos três primeiros discípulos, Jesus começa a formar sua equipe para dar sequência a seu ministério. É um quadro vocacional com a marca do Messias, Cristo que inicia escolhendo os discípulos catequizados por Batista, o precursor, que sente cumprida sua missão quando o Messias “passa” e se torna realidade. Ele convida-os a segui-LO, “eis o cordeiro de deus” e sai de cena. A expressão define Jesus como o enviado do Pai para a nova Páscoa e realizar a libertação dos homens, como o novo Adão. Jesus veio, portanto, com a missão de eliminar as cadeias do egoísmo e da escravidão do pecado que prendem os homens, impedindo-os de chegar à vida plena.
“Seguir Jesus” significa caminhar com Ele, percorrer o mesmo caminho de amor e de entrega que Ele percorreu, adotar  seus objetivos e colaborar com Ele na missão. “Que procurais?” Não existe meio termo e os discípulos, pessoas simples, captaram, de pronto, a mensagem e simplesmente O seguem, largando tudo para fazer a experiência da partilha de vida com o Messias. Nasce, assim, o primeiro embrião da comunidade do Messias como uma nova Aliança. Aqui a dinâmica Missionária que forma a comunidade dos que encontram Jesus que passa, procuram n’Ele a verdadeira vida e  liberdade e, identificando-se com Ele, seguem seu caminho de amor e de entrega, dispostos a uma vida de total comunhão com Ele e com os irmãos, formando o caminho vocacional a nos dizer o é ser cristão e seguir Jesus.
O encontro com Jesus não é um caminho fechado, mas um caminho de encontro com os irmãos

A resposta ao amor de Deus é o amor. Amor com entrega  e compromisso de respeito pelo irmão e pela sua dignidade.
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quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Epifania do Senhor - 08/01/2012 – Ano B

JESUS É A MANIFESTAÇÃO DO AMOR DO PAI PARA TODOS
A Epifania conclui o tempo do mistério Natalino. É a festa onde o mundo, através dos pastores e dos reis magos, acolhe o Menino Deus. Cristo assume a natureza humana, nasce e se manifesta a todos os cristãos que se guiam pela fé, indicando aos irmãos o “sinal do grande Rei”, como fizeram os magos. A liturgia, por sua vez, celebra a manifestação de Jesus aos homens. Ele é a “luz” que atrai a si todos os povos da terra, cumprindo o projeto libertador do Pai e essa “luz” entrou na história, iluminou o caminho dos homens, levando-os à salvação e à vida definitiva. A Palavra de Deus, os Sacramentos, a voz da Igreja, do sacerdote ou de pessoas amigas manifestam a presença de Deus, como a estrela.
Natal e Páscoa, festas que se complementam e em ambas está em jogo a vida. Natal é a festa da vida, pois é o Menino nasceu para que todos tenham vida. Não basta que Ele nasça, é preciso que Ele se manifeste.  É o que vivenciamos na Epifania. Ele se manifesta aos gentios, pelos Magos, no batismo como filho de Deus e, nas bodas de Caná, impelido pelo Espírito Santo, inicia sua vida messiânica.
Na Páscoa a vida renasce na ressurreição do Senhor. Esta vida, por sua vez fecundada pelo Espírito do Pentecostes, desenvolve-se e produz frutos através dos apóstolos e discípulos. Importa que sua manifestação não se restrinja às solenidades, mas se manifeste pelo testemunho dos cristãos. Os Magos viram o menino e voltaram por outro caminho, significando que quem encontra Jesus muda de caminho (de vida).
Primeira Leitura: Isaias 60, 1-6 Apareceu sobre ti a gloria do Senhor.
O texto apresenta Jerusalém em reconstrução, acolhendo os que regressam do exílio babilônico e de outras partes, com suas oferendas. A glória de Deus resplandece nos povos que se unem para construir uma nova cidade, solidificada no amor e na justiça. É o anúncio da chegada da luz salvadora de Jahwéh à cidade de Deus a um povo ávido por nova vida e pátria definitiva A certeza nas promessas de Javé em trazer a paz definitiva é o sonho que se faz esperança pela reconstrução de uma Jerusalém (a cidade da luz) bela e harmoniosa para a morada definitiva de Deus no meio de seu povo (pela situação geográfica, a cidade é iluminada desde o nascer até o por do sol, o que a torna mais bela).
O sonho do profeta é ver Jerusalém esplendorosa e ela levantar-se na chegada da luz salvadora de Deus, dando-lhe um novo visual para atrair o retorno de seus filhos, ainda temerosos, e a atenção dos povos de toda a terra, atraídos pelas promessas salvadoras, cantando os louvores de Deus. Aqui se configura a eterna preocupação de Deus com a vida e a felicidade de seu povo. O povo se rebela, o mundo dá voltas, e Deus está lá, estendendo-lhes a mão para socorrê-los.
►É a eterna fidelidade de Deus que nos faz levantar a cabeça e confiar em seu amor infinito de libertar e salvar o homem. O caminho é acolher Jesus, a luz libertadora.
Salmo Responsorial: O rei, como figura de justiça e paz divina, tem a responsabilidade de ser agente da libertação para o povo.
Segunda Leitura: Eféseos 3, 2-3a.5-6
Agora nos foi revelado que os pagãos são co-herdeiros das promessas.
Paulo reafirma que o projeto salvador de Deus, em Cristo, é uma realidade que vai atingir toda a humanidade e que unem judeus e pagãos numa mesma comunidade, os irmãos de Jesus, quebrando as barreiras que dividiam povos e gentios para tornará-los participantes da mesma promessa de salvação. É uma síntese da catequese paulina sobre o mistério da salvação e sua intensidade, definido e elaborado desde a eternidade e revelado, por Jesus, aos apóstolos e ao mundo através de sua Igreja e ação da Família Divina, Pai, Filho e Espírito Santo na obra salvífica.
Paulo, privilegiado como os Doze e como um verdadeiro arauto da Boa Nova, abre seu coração numa missão catequética de compartilhar com os irmãos de fé o grande mistério da Salvação que lhe foi revelado, insistindo que  a salvação não é privilégio do povo judeu, mas de toda a humanidade, sem exceção. Ele é, por isso, designado, o apóstolo dos gentios. Assim, judeus e gentios são membros do mesmo e único corpo, o corpo de Cristo ou sua Igreja, participam da mesma obra salvadora que os faz, em igualdade de circunstâncias com os filhos de Judá, “filhos de Deus”, participando da promessa feita por Deus a Abraão – promessa realizada por Cristo, a luz que iluminou Jerusalém.
Evangelho: Mateus 2,1-12
Uma procura sincera: Viemos do Oriente adorar o Rei
O texto relata a simplicidade de desconhecidos orientais na busca pelo Messias.  Bastou uma estrela, identificada como sendo o sinapara se porem a caminho, não obstante as dificuldades e empecilhos pontuais, mas relativizados. Nada os amedrontou, nem o fato de se dirigirem a um país estrangeiro e, embora ingênuos, enganam o cruel Herodes que pretendia eliminar o “rival”.
Jesus, assim se manifesta como o Messias e Filho de Deus, o verdadeiro Rei, nascido em Belém de Judá para apascentar seu povo. Os magos do Oriente, representando todos os povos, acolhem o Rei que tem a missão de fazer seguidores em todas as nações.
O reconhecimento e a adoração desses sábios contrastam com a cegueira dos que ignoram a presença do Salvador, como ameaça a seus interesses de poder e riqueza. O intuito de Mateus é rebater os que negavam Jesus como o Messias esperado e assegurar aos Cristãos a certeza do verdadeiro caminho, verdade e vida.
A Epifania é a celebração da universalidade da salvação de Deus e convoca os povos, unidos pela fé, a reconhecê-lo e adorá-lo como Deus vivo e verdadeiro. Ele é a luz e a palavra que ilumina o caminho para sermos sinais resplandecentes de sua presença amorosa que cative e, assim Deus, nosso Pai, na sua infinita bondade, revela seu Filho a todos os povos.
Que Ele nos guie e nos fortaleça como verdadeiros filhos, na unidade de sua Igreja e em comunhão com os irmãos, especialmente os marginalizados, os pobres e desamparados material e espiritualmente. O episódio é uma catequese, mostrando Jesus e sua missão como o enviado do Pai que veio oferecer a salvação aos homens de toda a terra. Veio cumprir as promessas e restaurar o reino ideal de seu Pai.
O relato apresenta dois aspectos intrigantes que se repetem no evangelho: (1) O povo de Israel rejeita Jesus; (2) Os Magos, pagãos, O adoram. Herodes e Jerusalém ficam perturbados com a notícia, planejando sua morte; os pagãos sentem alegria, reconhecendo Jesus como o Messias. Os seus não o receberam, sendo acolhido pelos pagãos que perceberam nEle a Luz que veio iluminar as trevas.
A revelação nos faz a refletir sobre essa diversidade de divergentes personagens que vão do ódio a alegria e amor pelo insondável mistério da salvação. Atitudes que levam a indiferença ou a adoração. O batismo nos propõe essa escolha. Conhecer a escritura e vivê-la é ser homens de sinais e atentos aos sinais, como os magos. Que na festa da Epifania nos deixe guiar pela estrela, iluminar por ela, e ser luz para os outros.


 
A Palavra de Deus, os Sacramentos, o Magistério da Igreja, uma boa palavra do sacerdote ou de pessoas amigas, os acontecimentos da vida, manifestam a presença de Deus, como a estrela.

DICAS: * Os excedentes (roupas, livros, calçados) antes de descartá-los, veja sua utilidade a quem necessita. ** Nunca esqueça que você é o grande exemplo a seus filhos. Olhe-os com AMOR. 

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