sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

4-Feira de Cinzas 22/02/2012

EIS O TEMPO DE CONVERSÃO: ORAI, JEJUAI E VIVEI A CARIDADE
Campanha da Fraternidade 2012
Tema: "Fraternidade e saúde pública",
Lema: "Que a saúde se difunda sobre a terra!"
Todos os anos no período quaresma,  empo de conversão, a CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) realiza a Campanha da Fraternidade, que tem por objetivo despertar a solidariedade de seus fiéis e de toda a sociedade em relação a um determinado problema que envolve a humanidade, na busca de uma solução.
Para 2012, a CNBB apresenta como tema "Fraternidade e Saúde Pública" e como lema "Que a saúde se difunda sobre a terra".
O objetivo desta campanha é refletir a dificuldade de milhões de brasileiros que necessitam da assistência pública de saúde. “É uma realidade que clama por ações transformadoras. A conversão pede que as estruturas de morte sejam transformadas”, alerta o texto-base da campanha.
A Campanha da Fraternidade, iniciativa da CNBB, acontece desde 1964 e convida todos os cristãos a refletir um tema atual e desafiador para a sociedade brasileira. A discussão do assunto acontece ao longo de todo o ano, mas é intensificada durante o tempo quarmesmal.
Com a imposição das cinzas, se inicia uma estação espiritual particularmente relevante para todo cristão que quer se preparar dignamente para viver o Mistério Pascal, quer dizer, a Paixão, Morte e Ressurreição do Senhor Jesus.
Porque tu és pó e ao pó hás de voltar (Gn.3,19)
Convertei-vos e crede na Boa Nova (Mc.2,25)
Chegou o tempo da graça: a quaresma. Tempo de preparação para celebrar nossa fé na Páscoa do Senhor Jesus. De hoje até a 5ª-feira Santa, temos uma longa caminhada de oração, jejum e penitência para que o Senhor nos liberte de todo pecado e nos torne instrumentos do seu amor para lutar por justiça, paz e saúde para todos.
A Igreja, à luz da Palavra de Deus, deseja iluminar a dura realidade da Saúde Pública e, ao mesmo tempo, lutar para que os pobres tenham um atendimento digno como seres humanos.
Nossa Quaresma começa hoje fazendo ecoar novamente em nossos ouvidos estas inquietantes palavras do profeta Joel: “Rasgai vossos corações e não vossas vestes!”. O jejum proposto pelo profeta não se reduz a deixar de consumir determinados alimentos, ao mesmo tempo em que se gasta até mais com outros produtos, às vezes muito mais caros, como se vê hoje em dia. O jejum é um apela para uma conversão profunda, um retorno do povo a Deus. O jejum nos estimula a viver uma Quaresma de conversão. É um apelo à solidariedade com os pobres e marginalizados. O próprio Cristo se refere a três práticas religiosas: o jejum, a esmola e a oração. São gestos que marcam a nossa experiência de Deus, desde que seja com força interior e ligue  nosso coração a Deus e ao irmão.
Quando jejuo é um assunto entre eu e Deus que lê meu coração. A esmola exige meu encontre com o irmão necessitado. Nossa conversão significa abrir os olhos da consciência às privação que passam muitos os irmãos, alguns doentes como nos propõe a Campanha da Fraternidade. O jejum quaresmal deve nos ajudar a “sentir na própria carne” um pouco do sofrimento  que passam esses irmãos e nos fazer mais solidários na construção de um mundo melhor, onde não haja injustiça, marginalização, abandono, miséria, nem fome.
Jejum sem solidariedade é um simples ritualismo sem sentido. O tempo de conversão é agora! É abraçar a ocasião que Deus está nos oferecendo, pois Ele mesmo vem em nosso auxílio para nos tornar aptos a fazer o bem e cumprir a sua vontade na realização de seu projeto.
1ª Leitura: Joel 2,12-18 Rasgai o vosso coração e não as vossas vestes
2ª Leitura: 2Corínstios 5,20_6,2
Reconciliai-vos com Deus. É agora o momento favorável
Evangelho: Mateus 6,1-6.16-18
E o teu Pai, que vê o que está escondido,  te dará a recompensa

Neste tempo quaresmal de preparação para a Páscoa, vamos nos unir a Cristo e permanecer na fidelidade à vontade do Pai. A oração com a força de Sua palavra nos fortalece para resistir as propostas opostas ao plano de Deus e sermos construtores de um mundo novo.




terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

7º Domingo do Tempo Comum -19/2/2012


O PERDÃO GRATUITO DE DEUS LIBERTA E CURA
A pecada corroe a fonte de vida em nós, tolhe nossa liberdade e nos afasta de Deus. O pecado é como a árvore sem água: seca e perde a seiva da vida. Marcos nos apresentou Cristo como Mestre e Curandeiro, hoje nos apresenta com o pode de perdoar pecados, tendo como paradigma de pecador, um paralítico. O homem se valoriza - auto-estima; se relaciona – fraternidade; e, como meta de vida, encontra-se com Deus. O paralítico estava na contramão dessa relação. Para ela nada era possível, tudo conspirava contra ele. O telhado e amigos é sua salvação o que eleva sua auto-estima. Jesus mostra que o problema está na relação com Deus e não na doença.
A liturgia nos revela o amor misericordioso do Pai, através da divindade de Jesus que perdoa pecados, cura enfermidades e nos ensina o caminho da solidariedade entre irmãos. Deus tem um projeto de salvação que o homem deve acolher com fé.
O povo desperta e exclama em admiração e louvor: “Nunca vimos coisa semelhante!” Assim deve o agir da Igreja para nos manter conectados com Deus numa convivência pacífica com os seres que nos rodeiam como sinal de amor ao Pai.
Primeira Leitura: Is 43,18-25 Apagarei as tuas transgressões em atenção a Mim!
Isaías, o profeta da consolação, anuncia a esperança de tempos novos de um Deus fiel que mantem a Aliança com seu povo, refletindo Seu amor que não diminui apesar da infidelidade e do pecado. A vitória do amor de Deus se manifesta no perdão: O Deus de amor é o Deus misericordioso. Deus cria um povo novo: “Cancelo tuas culpas, já não me lembrarei de teus pecados” (Mq 7,19).
 Deus se manifesta no pecado com amor, desde que nos aproximamos dEle de coração arrependido: é como uma nova criação. O erro deixa vestígios, o pecado pesa e os homens sabem cobrar. Deus,no entanto, perdoa e esquece.
No texto Jahwéh lembra o povo que o passado bom alimenta a esperança e prepara o futuro e o acusa pela infidelidade e indiferença, necessitando de conversão. Na voz do profeta, aproxima-se um novo êxodo, o dia da nova libertação e o regresso definitivo a terra prometida de felicidade permanente.
O contexto coloca a missão de Jesus que veio revelar o rosto misericordioso do Pai que cura e perdoa o Povo que necessita percorrer um caminho de conversão e de renovação, antes de poder acolher a salvação libertadora oferecida por Deus. A vida cristã é uma caminhada permanente rumo a “terra prometida”.
Salmo Responsorial: O salmo recorda a salvação de Deus, revelada em momentos difíceis como a doença. Deus cura os que agem em favor dos pobres e desamparados.
Segunda Leitura: 2Corintos 1,18-22 Jesus não foi “sim e não”, mas sempre foi sim.
Paulo afirma que seu ministério está centrado na fidelidade de Jesus Cristo, pois nEle se realizaram todas as promessas de Deus. Pelo batismo, no Espírito, os cristãos são chamados a uma dedicação total a Cristo e ao evangelho, dando seu “amém” consciente e coerente. Ele, ao acusar membros da comunidade de pregar por interesse próprios, causa desagrado e perseguição, tendo que deixar Corintos. Sua mensagem, como de reconciliação, objetiva desfazer “fuxicos” e mostrar seu verdadeiro apostolado, reiterando sua fidelidade ao Mestre que o marcou com o selo do Espírito Santo. 
Ele recusa o alcunho de ser um meio termo, sim ou não, circunstancial. É um fiel discípulo de Jesus certo de que Deus é fiel às promessas feitas ao povo com seu “sim” sem meio termo. Paulo se exclui da lógica de oportunista e oferece aos homens a verdade, o que lhe assegura a sinceridade e linearidade de vida, merecendo a confiança da comunidade. O apóstolo dos gentios nos lembra que ser cristão, como ungidos de Deus, é seguir a Cristo que se fez cumpridor da promessa e percorrer com Ele o caminha da vida e do amor incondicional.
Evangelho: Marcos 2,1-12 O Filho do homem tem na terra o poder de perdoar os pecados.
“Deus perdoa todas suas culpas e cura todas suas enfermidades”. O texto retoma a temática de um Deus que, por meio de Cristo, derrama seu amor, bondade e misericórdia sobre a humanidade sofredora e prisioneira do pecado. Cabe ao homem acolher o dom de Deus, ir ao encontro de Jesus e aderir a Sua proposta libertadora que veio apresentar.
Querendo anunciar o sentido da sua presença na história, como enviado de Deus, Jesus dá ao paralítico o perdão dos pecados e cura sua doença. Os escribas, desconhecendo Sua identidade, falam em blasfêmia porque só a Deus cabe perdoar pecados. Jesus, categórico, afirma que perdoa pecados como o faz Deus e sua afirmação não é falsa pretensão, pois o milagre do paralítico que se levanta e caminha é a confirmação. Perdão e cura: sinais do amor de Deus, como libertação total de seus filhos.
O poder de perdoar pecados Jesus delegou a sua Igreja que, em Cristo e por Cristo, recebeu o Espírito Santo para a remissão dos pecados (João 20,23). A Igreja celebra a Eucaristia e o perdão dos pecados, a partir do batismo, no sacramento da penitência. As palavras que ouvimos na confissão: “Teus pecados estão perdoados”, são pronunciadas pelo sacerdote na pessoa de Cristo. A consciência do perdão revela ao homem o rosto da misericórdia de Divina e convence o cristão que sua santidade é o reflexo desse amor misericordioso de Deus que o salva.
O relato acontece em Cafarnaum, (o centro de onde irradia a missão de Jesus na Galiléia) numa comunidade judaica onde Jesus continua a propor o Reino por meio de milagres, gestos e sinais da presença do amor de Deus, provocando admiração do povo e recusa dos escribas e fariseus que procuram pretexto para atacá-lo e o acusar. Na casa, pelo telhado, desce um paralítico, protótipo da invalidez, conduzido por amigos que representam a humanidade que não se conforma com o mal que aprisiona pessoas e as torna infelizes.
Marcos representa a ânsia (fé) com que o mundo espera a libertação que Cristo lhe veio oferecer, colocando o doente frente a frente com Jesus. Jesus abre seu coração, significando que Deus deseja mudanças na vida do povo sofredor. É a reconciliação com a humanidade pecadora.
 

 
O sinal maior da bondade de Deus é a entrega de seu Filho amado: “isto é meu corpo, isto é meu sangue que é dado por vós”.
Pela adesão a Jesus, fica apagado o passado pecador do homem e este recebe uma nova vida.
Bendigamos ao Deus de amor e perdão, porque em Cristo nos ensinou e reconciliou partir da recuperação e libertação plena do ser humano.
O gestos de solidariedade favorece o encontro com Cristo e a experiência de sua misericórdia.

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quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

6º Domingo do Tempo Comum -12/2/2012

AQUELE QUE CRÊ EM JESUS SERÁ CURADO.
SE QUERES, TENS O PODER DE ME CURAR! 
A liturgia deste domingo nos mostra a realidade das pessoas com lepra e, por isso, discriminadas, excluídas da convivência humana e jogadas no abismo da segregação. Hoje muitos irmãos nossos sentem a precariedade da convivência e sofrimento em razão da pobreza, da miséria e do isolamento cultural, religioso e econômico, como se a vida se resumisse apenas na aparência ou no ter. Jesus Cristo, com seu amor revolucionário e misericordioso, nos apresenta a nova realidade de vida onde todos, como filhos de Deus, devem ser integrados à comunidade para viver como seres humanos em qualquer circunstância.
A doença não é castigo de Deus nem consequência do pecado. Por isso: Jesus, o Cristo, cura o leproso com um amor que só o Filho de Deus pode oferecer.
O DEUS DE AMOR, DE BONDADE E DE TERNURA CONVOCA A HUMANIDADE TODA (sem exclusão) PARA INTEGRAR A COMUNIDADE DOS FILHOS AMADOS.
Primeira Leitura: Levítico 13,1- 2.44-46 O leproso deverá morar à parte, fora do acampamento 
 O Levítico trata de leis, preceitos e culto a Jahwéh e da relação do Povo de Deus em consequência da Aliança, através de Moisés no Sinai, a fim de viver em comunhão com Deus, como a verdadeira vocação do homem. O texto reflete a situação de sofrimento humilhante de pessoas por causa da doença e sua exclusão da sociedade e as prescrições para curar o leproso, afim de reintegrá-lo na comunidade. A readmissão, acompanhada de um sacrifício de expiação, demonstra que a lepra estava ligada ao pecado e ao isolamento como sinal de impureza.
 Uma imagem deturpada da doença, como “tabu”, levava os homens a discriminação e rejeição do doente em nome de Deus. O paciente apresentado era banido pela autoridade religiosa sem qualquer função terapêutica, visando impedir o contágio. (Lepra, como impureza, tinha o significado de diversas enfermidades da pele e, por razões religiosas, ameaça à integridade das pessoas pelo contágio). 
O texto não apresenta nenhuma catequese do comportamento do homem com Deus, mas nos prepara para entender a boa nova trazida por Jesus, demonstrando que Deus não exclui ninguém e que todos são chamados a integrar a família dos filhos de Deus (no evangelho).
Salmo Responsorial: O salmo ressalta que a confiança, na misericórdia e no perdão de Deus, possibilita celebrar a salvação com alegria e gratidão.
Segunda Leitura: 1Coríntios 10,31-11,1 Sede meus imitadores, como eu o sou de Cristo
Paulo instrui os cristãos de Corintos, judeus, pagãos e a Igreja de Deus, para viver o que é essencial para um cristão: “Fazei como eu... Sede meus imitadores como eu o sou de Cristo”. É preciso discernir: tudo é lícito, mas nem tudo convém. O critério da conduta deve ser a glória de Deus e o serviço do irmão.
O texto se reporta às instruções de Paulo sobre a atitude de comer ou não carne de animais imolados a ídolos e que era comercializada, o que gerava controvérsia. Para Paulo ídolo é nada, mas aconselhava evitar comer dessa carne para não escandalizar os fracos na fé. O cristão, tendo em mente a glória de Deus, deve olhar o bem dos irmãos. Ser livre é viver a fé e os valores evangélicos em função de um bem maior: o amor fraterno.
Evangelho: Marcos 1,40-45 A lepra deixou-o e ele ficou limpo
Marcos relata a cura do leproso, uma síntese dos milagres realizados por Jesus na Galiléia, região pobre e desprezada pelos judeus. Como a lepra, característica de enfermidade contagiosa, o leproso era o protótipo do marginalizado, do excluído, segregado e afastado da comunidade. Ele, no entanto, se aproxima de Jesus, implora de joelhos sua cura, confiante no poder salvador. Sua súplica é profissão de fé no Salvador. Jesus, cheio de compaixão, rompe preconceitos e “tabus”, estende-lhe a mão, toca-o e devolve-lhe a saúde e o reintegra a comunidade. Grato pela dádiva ele se transforma em testemunho da Boa Nova do Reino, a realidade no mundo e na vida dos homens.
O leproso, de sua parte, vence preconceitos e as barreiras que o afasta da comunidade e, na esperança de sair da miséria, se aproxima de Jesus humilde e suplicante. Ele sabe que é a sorte de sua vida e ele não pode desperdiçar: O “se quiseres, podes purificar-me” é sua chance. Chega de ser impuro e indigno de pertencer à família de Deus e da comunidade. Ele confia. Jesus, lendo seu coração, estende-lhe a mão com amor e o liberta: “Eu quero, fica curado!” Deus não discrimina ninguém e deseja amar e oferecer liberdade a todos seus filhos e os convida a integrar a Família do Reino, como símbolo da purificação.
Jesus, com seu gesto compassivo, ao reintegrar o leproso na comunidade, assegura que ninguém é excluído da família dos filhos de Deus. Somos impelidos, por isso, a ter a audácia do leproso para nos aproximar do Salvador, sentir seu amor e confiar a Ele nossa esperança de salvação.
Que celebração litúrgica nos faça sentir essa grande compaixão de Jesus que, frente ao sofrimento humano, estende a mão e promove a cura. Que o Senhor em sua eterna bondade nos faça sensíveis às necessidades dos sofredores e necessitados, porque Ele não pactua a miséria e o sofrimento.

AMAR É TOMAR PARA SI AS DORES DE QUEM SOFRE E LUTA POR DIGNIDADE E JUSTIÇA. É SER SOLIDÁRIO, É VER NO PRÓXIMO UM IRMÃO, É ESTENDER A MÃO E CURÁ-LO ATRAVÉS DA SIMPLES APROXIMAÇÃO.

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terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

5º Domingo do Tempo Comum, 5/2/2012

A VERDADEIRA FELICIDADE ESTÁ NO SERVIÇO DO REINO!
Todos Te procuram.
Que sentido tem o sofrimento e a dor para a humanidade?  E Deus como reage a esse drama?  A vida é trabalho e provações. A liturgia desse domingo nos faz refletir sobre este dilema, já que o projeto de Deus para o homem é um projeto de vida e felicidade, longe da morte. Jesus tem a ciência e o poder de curar doentes e a Igreja, nos caminhos de Cristo, através da pastoral da saúde e da solidariedade, continua Sua obra. Jesus vem à casa de Pedro, o representante da Igreja, e comprova que, como Mestre, conforta, orienta e também cura. Curar é um desafio de especialista e Jesus, como o Mestre, continua até hoje a curar. A pastoral de Cristo vai além da cura física: ela nasce da sede de Deus que plenifica e dá sentido à vida, cabendo a nós fazer memória da ação de Jesus junto aos doentes.
Primeira Leitura: Jó 7,1-4.6-7; Agito-me angustiado até ao crepúsculo!
O livro de Jó é um clássico de beleza literária e apresenta reflexões sobre as questões da vida humana neste mundo e sua relação com Deus, com reflexo no sentido da vida de cada um.  O texto retrata a vida atribulada de Jó frente às provações que a vida lhe prepara. Como herói da história é um homem piedoso, com família numerosa, bom e generoso. Com doença grave, perde tudo, mas não perde a fé e a solidariedade. Para ele sofrimento é castigo de Deus, mesmo assim procura entender o sentido da vida e clama ao Deus da aliança, lembrando que sua vida é um sopro. Cristo, que por amor carregou as dores da humanidade até a morte, é a resposta ao mistério desse sofrimento.
O drama de Jó é uma catequese aos israelitas, mostrando a justiça de Deus em relação à conduta do homem: Jahwéh recompensa as boas obras e castiga os maus pela prática da injustiça e arbitrariedade com seus irmãos. O povo viva a ilusão de que o rico, vive em abundância, com vida longa e feliz, enquanto o pobre que sofria injustiças e violência dos poderosos, vive uma vida miserável, embora justo e piedoso. É essa a justiça de Deus. Jó se rebela contra essa teologia tradicional, rejeitando essa falsa imagem de Deus. Deus não é calculista e respeita a liberdade de cada um. Ele encontra a face do verdadeiro Deus e Pai no sofrimento e da dor. Dá como exemplo a vida de soldado, a de escravo e a do trabalho assalariado, como estado de vida sofredora, julgando-se o pior sofredor.
Salmo Responsorial:  O salmo ensina a confiar em Deus que conforta e cura os corações esmagados pela dor.
Segunda Leitura: 1Coríntios 9,16-19-22-23 Ai de mim se não evangelizar!
Paulo, a exemplo do Mestre, se fez servo, sabendo que evangelizar é uma obrigação e não escolhe. Tal determinação exige entrega e doação a serviço do evangelho. Apóstolo é aquele que vivencia experiências humanas na convivência fraterna, buscando o verdadeiro sentido da acolhida, indo ao encontro do outro. Por causa da Boa Notícia de Cristo, o batizado se torna livre para o serviço de todos. Paulo é o exemplo do apóstolo escolhido por Deus, sem nada exigir em troca. O texto sublima a obrigação assumida pelos discípulos em levar ao homem a proposta libertadora de Jesus por amor a Deus e ao irmão, como uma oferta gratuita, sem interesse pessoal ou título de glória.
Anunciar o evangelho, na catequese de Paulo, é obrigação e privilégio, pois quem se apaixona por Cristo, enfrenta o desafio, tornando-se paixão levar ao homem a Boa Novo do Mestre.  O “Ai de mim se não anunciar o Evangelho” traduz esse imperativo que Paulo sente e que brota do seu amor a Cristo, ao Evangelho e aos homens. Evangelizar, portanto, por iniciativa própria sem o ímpeto evangélico do “pescador de homens”, é buscar interesses, contrapondo o evangelizar por amor e renúncia de si mesmo. A síntese de Paulo é o amor a Cristo e renúncia dos próprios direitos, fazendo-se servo: Tudo para todos, sem acomodação.
 Evangelho: Marcos 1,29-39 Curou muitas pessoas, atormentadas por várias doenças.
Jesus, acompanhado de Tiago e João, visita André e Simão cuja sogra se encontra enferma. O texto sintetiza o espírito de Jesus diante do sofrimento e da doença. Os que sofrem nesse mundo esperam de nós coerência com a Boa Nova de Cristo. A mulher prostrada representa as vítimas do pecada e de situações desumanas. Jesus nos mostra o caminho da solidariedade ao se aproximar de cada um, estendendo-lhes Sua mão misericordiosa. Ele proclama a salvação, curando e libertando pessoas de todos os males e aflições, mesmo os que se opõem ao seu plano de amor. Os incrédulos discípulos vão se familiarizando e crendo no Envidado de Deus, fazendo com que a comunidade do Reino seja aos poucos formada.
Marcos apresenta Jesus como o Messias que proclama uma nova realidade no mundo, o Reino de Deus. Jesus, em comunhão com o Pai, vence mal e a dor que escraviza o homem e anuncia mundo novo de liberdade e paz. Cura com simplicidade e sem fazer teatro, oferecendo vida definitiva. Ele, cumprindo a missão do Pai, toma a iniciativa de livrar as pessoas de sofrimento e do que lhe rouba a vida. Jesus revela a presença amorosa de Deus, carregando nossas dores e sofrimentos, ensinando-nos a continuar a construção de um mundo novo.  O exemplo de Jesus mostra que o Novo Reino está ligado a uma vida em comunhão e de diálogo com Deus.
Viver em comunhão com Deus, não é fugir do mundo ou alienar-se dos problemas do mundo e dos dramas dos homens.  É, sim, tomar consciência de que o projeto de Deus para o mundo é um ponto de partida para o compromisso com o Reino. É na comunhão e no diálogo íntimo com Deus que percebemos seus desígnios e percebemos a força de Deus para nosso empenho na transformação do mundo. É preciso, portanto, que o discípulo encontre espaço, na sua vida, para a oração, para o diálogo com Deus para “encarar” o mundo.

A MISSÃO DO CRISTÃO É DE SEGUIR OS GESTOS DO MESTRE: APROXIMAR-SE DAQUELES QUE NÃO TÊM FORÇAS PARA MANTER-SE EM PÉ E ERGUÊ-LOS DA CONDIÇÃO DESUMANA NA QUAL SE ENCONTRAM E SER SERVOS DO IRMÃO E DO EVANGELHO. PERCEBEMOS NAS AÇÕES DE JESUS GESTOS DE QUEM ESTÁ PREOCUPADO NÃO SÓ EM RECUPERAR A SAÚDE, MAS PROMOVER O SER HUMANO PARA UMA VIDA DIGNA, SAUDÁVEL E REINTEGRADA À SOCIEDADE. É MISSÃO DA IGREJA É CONTINUAR A AÇÃO DE JESUS NA HISTÓRIA. POR ISSO, ELA PROPÕE A SAÚDE COMO REFLEXÃO PARA A CAMPANHA DA FRATERNIDADE DESTE ANO, TRAZENDO COMO TEMA: FRATERNIDADE E SAÚDE PÚBLICA, E COMO LEMA: QUE A SAÚDE SE DIFUNDA SOBRE A TERRA.  O PROPÓSITO É SENSIBILIZAR A SOCIEDADE SOBRE A REALIDADE DE IRMÃOS E IRMÃS QUE NÃO TÊM ACESSO A SAÚDE PÚBLICA, CLAMANDO POR AÇÕES TRANSFORMADORAS.